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Diálogo entre central e guarda que matou menino é investigado

Pedido de nº do celular foge dos padrões; promotora também não vê indício que sustente versão do GCM sobre caso na zona leste

Alexandre Hisayasu, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2016 | 05h00

SÃO PAULO - Um diálogo gravado pela Central de Comunicação (Cetel) da Guarda Civil Metropolitana (GCM) chamou à atenção da Corregedoria da corporação e dos policiais civis que investigam a morte de um menino de 11 anos, em Cidade Tiradentes, na zona leste, em 25 de junho, após uma perseguição. No fim da ocorrência, depois de o garoto ter sido baleado e socorrido, um guarda da Cetel, via rádio, pediu o número do celular dos GCMs que participaram da perseguição. O procedimento está fora dos padrões da Guarda Civil e é investigado.

O secretário municipal de Segurança Urbana, Benedito Mariano, afirmou que a ação dos guardas está sendo investigada do início ao fim pela Corregedoria da GCM. “O motivo desse pedido e o que foi conversado também é investigado”, disse.

No âmbito criminal, o caso é apurado pelo Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). Os policiais estudam pedir à Justiça a quebra do sigilo telefônico dos guardas e intimar o GCM que pediu o número dos celulares para prestar depoimento.

Segundo os GCMs, o menino e dois amigos de 14 anos furtaram um Chevette prata para ir à uma quermesse. Eles foram vistos por um entregador de pizza que avisou os guardas que estavam em uma viatura em patrulhamento. O carro foi localizado e começou uma perseguição no bairro. O GCM Caio Muratori afirmou em depoimento que atirou quatro vezes contra o Chevette porque os ocupantes atiraram contra a viatura primeiro. Um tiro acertou um dos pneus do carro e o outro, a cabeça do menino. Muratori foi autuado em flagrante sob a acusação de homicídio culposo (quando não há intenção de matar), pagou fiança e responde as acusações em liberdade.

Para a promotora Soraia Bicudo Simões Munhoz, não há até agora na investigação indícios que sustentem a versão de Muratori. “Não há indícios de tiros de dentro para fora do carro ocupado pelos garotos, a arma que teria sido usada por eles não apareceu e não há nenhuma prova que justifique a reação deles.”

Sem aviso. Segundo a promotora, também chamou a atenção o comportamento dos GCMs durante a perseguição. “Durante o contato com a Cetel, eles não ligaram a sirene da viatura para perseguir o carro, não disseram à central que os ocupantes estavam atirando nem que eles mesmos revidaram. Quando foi constatado que o menino estava no carro baleado, eles também não avisaram. Quem fez isso foram os outros guardas que vieram no apoio”, contou.

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