Dia mais seco do ano em São Paulo faz moradores e escolas mudarem rotina

Prefeitura recomenda interrupção de atividades ao ar livre ou com aglomeração; colégio termina mais cedo aulas de educação física

Viviane Biondo, O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2010 | 00h00

A cidade de São Paulo viveu ontem o dia mais seco do ano, com 17% de umidade relativa do ar, segundo medição do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) realizada no Mirante de Santana. O que era apenas incômodo - boca e pele secas, garganta arranhando e irritação nos olhos, entre outros sintomas - agora já faz Prefeitura, escolas e moradores mudarem a rotina.

Depois de três dias em estado de alerta e quatro em atenção, a Secretaria Municipal de Saúde colocou em prática seu Plano de Contingência para Situações de Baixa Umidade. Entre as recomendações estão evitar atividades ao ar livre ou em locais com aglomeração. Aulas de educação física devem incluir apenas atividades leves. Caso o índice de umidade caia abaixo de 12% e seja decretada situação de emergência, elas poderão ser interrompidas. Não houve recomendações específicas do governo para a rede estadual.

Nos colégios particulares, a determinação também é mudar a rotina. "A orientação é que se passem exercícios leves e, conforme for possível, se altere o período das aulas de educação física", diz o presidente do Sindicato das Escolas Particulares, José Augusto de Mattos Lourenço. No Dante Alighieri, nos Jardins, zona sul, por exemplo, as práticas esportivas nas quadras descobertas, que terminavam às 12h30, têm agora de ser encerradas antes do meio-dia. De acordo com a instituição, as aulas no período da tarde estão sendo feitas em ginásios cobertos.

Nos hospitais, a entrada de crianças, adultos e idosos com problemas respiratórios aumentou nos últimos dias. O movimento no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, no centro, cresceu 30% no inverno. No Hospital São Camilo, zona norte, o fluxo de pacientes foi intenso ontem. "Gripes e infecções virais e respiratórias, como asma e pneumonia, são desencadeadas e agravadas pelo tempo seco", explica Carlos Eduardo Favatto, coordenador do pronto-socorro do Hospital São Camilo. A designer Simone Yamamoto tem rinite alérgica e sofre com o tempo seco. "Meu nariz está irritado, chego a sentir que está machucado."

Alguns paulistanos já correram para comprar umidificadores e tentar aplacar os incômodos. É o caso da empresária Renata Rubano, de 45 anos, que desembolsou R$ 230 por um desses equipamentos. "Estava com a garganta seca e até dor de cabeça, não aguentava mais", diz. "Agora troquei os baldes de água e a gente reveza o aparelho aqui em casa", completa ele, que tem dois filhos.

Medições. A queda na umidade do ar vem se acentuando desde sexta-feira, quando, segundo o Inmet, o índice na capital era de 23%. No mesmo dia, o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE) havia registrado 18%. Até ontem, o volume de chuva na cidade foi de 0,6 mm - apenas 1,5% da chuva prevista para agosto (39 mm). Em 2009, o volume de chuva no mesmo mês foi de 55,4 mm - ano em que ironicamente a cidade registrou a menor umidade relativa da história: 10%, em 14 de agosto.

A comparação histórica sempre leva em conta o que o Inmet registra no Mirante de Santana. Isso explica porque ontem foi considerado o dia mais seco, apesar de o CGE ter registrado índices mais baixos em outros dias. / COLABOROU PAULO SALDANA

PRESTE ATENÇÃO

1. Hidratação é essencial. Beba muita água (ao menos 2 litros por dia), para evitar o ressecamento das mucosas.

2. Não pratique atividades físicas e evite a exposição ao sol entre as 11h e as 16h.

3. Em casa, coloque bacias com água nos cômodos para reduzir a sensação de desconforto.

4. Evite ambientes com ar-condicionado, que diminui a umidade do ar.

5. Depois do banho, use hidratante no corpo. E limpe os olhos e o nariz com soro fisiológico.

Secura. 10% é o recorde de baixa umidade registrado em São Paulo. O índice é do dia 14 de agosto de 2009.

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