Filipe Araujo/AE
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Dia do Orgulho Hetero paralisa 27 projetos para SP

Proposta obstruiu pauta de votação da Câmara e acabou até com acordo para aprovar o pacote tributário com o IPTU proporcional

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

A quatro dias da Parada Gay, a votação em segunda discussão do projeto que cria o Dia do Orgulho Heterossexual paralisou ontem a votação de 27 projetos na Câmara Municipal de São Paulo.

Os vereadores viram naufragar o acordo para a aprovação de um pacote de propostas de parlamentares e de um projeto do Executivo com mudanças tributárias após Carlos Apolinário (DEM) inverter a pauta do dia. Líder da Assembleia de Deus, o vereador queria regime de urgência para criar uma data em homenagem aos heterossexuais - após quase quatro horas de discussão, o texto acabou barrado pelas bancadas do PT e do PPS.

"É para acentuar o clima familiar das festividades de Natal", justificava Apolinário, que tentava tornar o terceiro domingo de dezembro o Dia do Orgulho Hetero. O vereador evangélico também argumentou que a Avenida Paulista não pode mais ser sede de eventos com 3 milhões de pessoas, como a Parada Gay. "Tiraram a Marcha para Jesus e deixaram os gays. Isso é um absurdo. Os gays precisam sair também!", disse ele.

Tanto o PT quanto a bancada do PPS avaliaram que a proposta era uma provocação da bancada evangélica, pois ontem à tarde a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Política da Mulher, lançou na Câmara paulistana uma campanha nacional pelo respeito aos direitos das lésbicas. O movimento contrário ao Dia Hetero foi crescendo entre os vereadores. "Não existe necessidade de criar uma animosidade na cidade às vésperas da Parada. Se fosse em agosto, eu até votaria a favor, mas agora não dá", argumentou Juscelino Gadelha. "Jogar fumaça sobre o comportamento humano não é papel da Câmara", emendou Cláudio Fonseca (PPS).

Encurralado, mas com o apoio de 12 vereadores evangélicos, Apolinário prometeu obstruir qualquer outra votação caso o Dia do Hetero não fosse votado. E foi o que aconteceu. Primeiramente, caiu o acordo para a votação de um pacote de mudanças tributárias proposto pelo prefeito Gilberto Kassab (sem partido), que poderá render R$ 4,4 bilhões aos cofres públicos. Na sequência, caíram os projetos de autoria dos vereadores.

Com a crise, o presidente do Legislativo, José Police Neto (sem partido), conseguiu colocar para votação apenas oito projetos de melhoramentos viários do Executivo e duas concessões de homenagem.

Rumo ao aeroporto. O presidente ainda abriu uma nova sessão às 15h30, mas grande parte dos 55 vereadores já havia deixado a Casa. Por volta das 16h20, apenas 13 vereadores estavam em plenário - muitos já tinham seguido para os Aeroportos de Congonhas e de Cumbica para viajar no feriado prolongado. "A repercussão (do projeto do Dia do Hetero) mostra que a sociedade tem o desejo de fazer esse debate", minimizou o presidente do Legislativo.

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