Dia de inspirações fortes e imagens de tirar o fôlego

Entre os desenhos de Athos Bulcão na coleção de Ronaldo Fraga e a construção de Brasília pelo olhar da Maria Bonita, a Huis Clos foi quem mais brilhou ontem na SPFW. Misteriosa, esta mulher faz a linha Kubrickniana De Olhos Bem Fechados e se esconde atrás de uma incrível máscara de penas, feita artesanalmente. A imagem é forte e a roupa, também.

Lilian Pacce, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2011 | 00h00

Marinho e cinza se alternam numa combinação de tirar o fôlego, graças à mistura de texturas e materiais na mesma peça, de drapeados e franzidos na justa medida. A aparentemente frágil Sara Kawasaki, que é estilista da marca, mostra domínio absoluto do início ao fim. Um náilon leve se junta a punhos de lã, rendas com chifon, paetês holográficos a lãs. O trompe l"oeil continua na própria modelagem: o vestido que é casaco e vice-versa, o macacão que vira calça e blusa e o vestido de muitos zíperes que transformam completamente o look. Se no inverno passado o desfile da Clos era basicamente de vestidos, agora as calças ganham destaque e viram peça principal de seus exercícios de modelagem. Sara vai armando um jogo de damas até montar o próprio tabuleiro em lãs feltradas ou num lindo jogo de paetês e transparência. Sem falar nas peças de plumas.

Ronaldo Fraga traz o universo de Athos Bulcão para a passarela. E parece que seus volumes encontram melhor forma nos traços e linhas geométricas deste artista multidisciplinar, que foi pintor, escultor e arquiteto e faz parte da história da construção de Brasília - mais conhecido pela arte de seus azulejos. Da saia-pantone com as cores de Athos à claras referências às suas obras, como as placas do teto da rodoviária de Brasília, Ronaldo explora vários momentos de sua carreira, tudo é literal e autoral ao mesmo tempo. Mas talvez o grande mérito mesmo seja este contorno mais definido que Ronaldo encontrou para sua silhueta.

Athos Bulcão também passa pela proposta de Danielle Jensen na Maria Bonita. Ela interpreta suas formas geométricas em vestidos de tule com pastilhas resinadas redondas ou triangulares, num jogo de transparência. Mas o fio condutor passa pelo universo dos candangos que construíram a capital do País: chapéus amassados, sapatos com ponta recortada, carteiras-marmita. No fim do dia, é gostoso observar como cada estilista interpreta a mesma referência de acordo com seu universo. Ou, como se diz na moda, seu DNA.

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