Ayrton Vignola/AE
Ayrton Vignola/AE

Dia contra o racismo termina em confusão

Uma manifestação de movimentos negros acabou em confusão com policiais militares ontem à tarde, no centro de São Paulo. Ofendidos por cartazes que denunciavam a violência policial na periferia, PMs apreenderam ao menos quatro faixas e exigiram que desenhos e frases fossem cobertos, o que foi interpretado como censura por quem participava do protesto.

Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2011 | 00h00

Uma sindicância foi instaurada pela PM para apurar o caso. A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai pedir providências ao comando da PM. "Essa ação dos policiais endossa tudo o que estávamos denunciando no protesto", disse Douglas Belchior, da União de Núcleos de Educação Popular para Negros(as) e Classe Trabalhadora (Uneafro).

Os cartazes mostravam um PM apontando uma arma para um rapaz e atribuíam ao Estado as mortes de jovens pobres e negros, citando o Mapa da Violência 2011. O levantamento, do Ministério da Justiça, mostra que, no País, de cada três jovens assassinados, dois são negros.

"Um tenente falou para a gente: "Não sou assassino". Estávamos falando da corporação, do número de mortes que o Estado pratica na periferia, um genocídio", afirmou Belchior. Advogados e deputados estaduais foram chamados ao local. "O secretário de Segurança Pública (Antônio Ferreira Pinto) ligou e pediu desculpas. Mas não é de desculpas que a gente precisa. É de mudança de atitude dos policiais na rua", disse a professora Sara Mendes de Siqueira, de 27 anos.

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