Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

DHPP quer prisão temporária de PM que teria atuado em chacina

Fabrício Emmanuel Eleutério foi reconhecido ontem por testemunha como autor de disparos em ataque em Osasco

Alexandre Hisayasu e Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

26 de agosto de 2015 | 03h00

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) vai pedir nesta quarta-feira, 26, à Justiça a prisão temporária do policial militar Fabrício Emmanuel Eleutério, por suspeita de participar da chacina que deixou 18 mortos e 6 feridos em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, no dia 13. Nesta terça, ele foi reconhecido pessoalmente por uma testemunha como o autor do disparo que deixou uma pessoa ferida na Rua Suzano, na Vila Menck, em Osasco, um dos dez pontos de ataques na cidade.

Os advogados Nilton Nunes e Flávia Artilheiro, que defendem o policial, afirmaram que são favoráveis à decretação da prisão de seu cliente. “Ficará provado que ele não oferece risco às investigações e todas as diligências serão feitas com tranquilidade por parte da polícia”, afirmou a advogada.

Os defensores apresentaram documentos, gravações e troca de mensagens de WhatsApp que comprovariam que o policial estava na casa da namorada, comendo uma pizza, no momento dos ataques. “Ele é inocente”, disse Nunes.

O PM está em prisão administrativa desde sábado. Anteriormente, cumpria funções burocráticas nas Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Eleutério também responde a cinco processos na Justiça e já havia sido preso em abril de 2013 sob suspeita de integrar um grupo de extermínio. Antes da prisão, era obrigado a cumprir medidas restritivas: permanecer em casa durante os fins de semana, não se ausentar de Osasco sem prévia autorização judicial, não frequentar bares e boates e também não se aproximar de testemunhas dos processos.

A Corregedoria tem uma lista com outros 17 policiais militares de Osasco e um segurança casado com uma PM suspeitos de participar da chacina, que pode ter sido motivada pela morte do PM Avenilson Pereira de Oliveira, baleado uma semana antes durante um latrocínio.

O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) apresentou nesta terça um relatório de 20 casos de chacinas e execuções registrados entre 2012 e 2015, que resultaram em 110 mortos na região metropolitana e na capital. Segundo Rildo Marques de Oliveira, presidente do órgão, os homicídios tiveram as mesmas características dos assassinatos do dia 13 de agosto. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que não pode comentar o caso, pois desconhece o relatório.

Sob suspeita. O depoimento de um tenente da reserva reforçou as suspeitas contra um grupo de sete policiais que teria participado da chacina em Osasco e Barueri. O oficial trabalha como segurança de um bar na zona norte da capital e à Corregedoria narrou fatos que causaram estranheza: menos de uma hora após a série de mortes na área de atuação desses PMs, eles chegaram simultaneamente ao estabelecimento que não frequentavam havia quatro anos.

Para a Corregedoria, estavam tentando montar um álibi. O grupo composto por um sargento, um cabo e cinco soldados do 42º Batalhão teve as residências vasculhadas por investigadores na semana passada.

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