Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Nove curiosidades históricas sobre o Ipiranga

Saiba quem foi o ladrão português que veio morar no Ipiranga e tornou-se vereador da Vila de São Paulo

O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 15h25

Dois Antônios se encontram nesta lista de curiosidades históricas sobre o Ipiranga, importante bairro da zona sul de São Paulo. O primeiro é Antônio Proença, ladrão português e um dos primeiros moradores da região. Depois de roubar uma freira ele fugiu para o Brasil, onde acabou virando vereador. O outro foi o primeiro prefeito da cidade, Antônio Prado (1899-1911). Foi dele a ideia de mandar plantar um jardim francês na frente do Museu Paulista, em 1907. Prado era, diz a história, obcecado por jardins e pretendia transformar a paisagem paulistana.

1. O Carvoeiro: Levino Ponciano escreve em seu "Bairros Paulistanos de A a Z", que um dos moradores ilustres do bairro no seu nascimento, ainda no século XVI, foi o português Domingos Luz, conhecido como Carvoeiro. Ele, junto com a mulher Ana Camacho, fundou no bairro uma igreja dedicada à Nossa Senhora da Luz. Essa igreja se perdeu, mas no futuro o casal providenciou outra, que daria origem ao bairro da Luz.

2. O fugitivo que virou vereador: outra figura curiosa entre os primeiros habitantes do Ipiranga foi Antônio Proença, que tinha fugido de Portugal depois de "roubar dinheiro de uma freira". Na época, anota Ponciano, essa era uma das faltas mais graves que se poderia cometer "contra Deus e os homens". No futuro, Proença se tornaria vereador e capitão da Vila de São Paulo (...).

3. O fim do mundo: o Museu Paulista, que ficou pronto em 1895, começou a ser construído dez anos antes em memória à declaração de Independência do Brasil. "No século 19 o bairro era ainda considerado "fim de mundo", uma região distante e despovoada. Era apenas um local de passagem para quem viesse de Santos a São Paulo, e as águas do córrego do Ipiranga serviam para matar a sede dos animais". Saiba como era o Ipiranga sem o museu, no Estadão Acervo.

4. Os jardins de Versalhes: segundo memórias do jurista Jorge Americano citadas em "A Capital da Vertigem", de Roberto Pompeu de Toledo, os jardins eram verdadeiras obsessões do primeiro prefeito de São Paulo. Antônio Prado assumiu em 1899 e ficou no cargo até 1911. A praça da República, por sua ordem transformada, virou ponto de encontro das famílias depois do jantar; administrado por um agrônomo austríaco, o Jardim da Luz ganhou espécies novas de flores e plantas e em seu coreto reformado passaram a ocorrer concertos e Prado sempre estava na plateia; no Ipiranga, o prefeito mandou plantar um exuberante jardim na frente do museu. "Um paisagista belga, Arsenio Puttermans, foi contratado em 1906 para executar a obra. Ela foi inaugurada em 1909 e agora, não bastasse a Champs-Elysées replicada na avenida Tiradentes, São Paulo tinha também uma Versalhes. O Ipiranga virou um dos pontos prediletos para os passeios de fim de semana."

5. Paulista particular: no início do século os terrenos na região eram baratos e os Jafet, bem-sucedidos empresários de origem árabe, compraram muitos. Ao redor da Fiação, Tecelagem e Estamparia Ypiranga ficavam as casas dos funcionários e dos proprietários. Os exuberantes palacetes, apurou Pompeu de Toledo, "converteriam a rua Bom Pastor em uma versão particular da avenida Paulista."

6. Casamentos em família: demorou até que famílias tradicionais se relacionassem com as famílias dos industriais imigrantes e até o começo do século havia certa resistência social aos estrangeiros. "Entre os Jafet, dos 37 filhos dos seis originais que vieram do Líbano, dez casaram entre si, primo com prima." As coisas começam a mudar, por exemplo, quando Fábio Prado, filho de Martinico, oligarca do café, se casa em 1914 com Renata Crespi, filha do conde italiano (e industrial) Rodolfo.

7. Monumento à Independência: em 7 de setembro de 1917, o governo do estado promove um concurso entre escultores brasileiros e estrangeiros para escolher o projeto que daria origem à obra. As maquetes foram expostas no Palácio das Indústrias e venceu Ettore Ximenes, um italiano. A escolha teve a oposição dos modernistas e foi contestada por Monteiro Lobato, a quem um amigo teria dito: "Concorra quem concorrer, Michelangelo, Rodin ou Jevach ressuscitados, o vencedor há de ser este Ximenes" - segundo consta no livro "Ipiranga", de Máximo Barro e Roney Bacelli, citado por Pompeu de Toledo. 

8. Só que ainda não estava pronto: o monumento foi inaugurado na festa do centenário da Independência, uma sexta-feira, 7 de setembro de 1922. Só que ainda não estava pronto. Foi concluído em 1925, cercado de controversas. O escultor teria pedido mais dinheiro e ainda por cima aproveitado peças não utilizadas por ele mesmo em um monumento ao czar da Rússia. 

9. A volta do imperador: em 1972, sob o governo militar do general Emílio Garrastazu Médici, vieram de Portugal os restos mortais do primeiro imperador, Dom Pedro I. Mas eles só foram enterrados no lugar certo quatro anos depois. O caixão não coube no lugar onde deveria ser colocado na Capela Imperial, no Ipiranga. "O conjunto formado por um caixão de chumbo com as armas de Portugal colocado dentro de outro caixão esse de madeira, era oito centímetros maior do que o sarcófago que deveria contê-lo, e como as autoridades portuguesas não autorizaram sua redução foi preciso desmontar o sarcófago da cripta e aumentá-lo", relatou o Estado em 5 de setembro de 1976

 

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