Polícia Civil
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Em SP, 16 pessoas são presas por participação em assalto a empresa de valores

Quadrilha teria executado o roubo de R$ 10 milhões da Protege de Araçatuba, no interior de São Paulo; investigação acredita ter preso assaltante que matou o policial civil André Luís Ferro da Silva

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

28 Junho 2018 | 11h33

SÃO PAULO - Ao menos 14 homens e duas mulheres foram presos nesta quinta-feira, 28, por terem participado do roubo de R$ 10 milhões a um espaço da empresa de transporte de valores Protege, em Araçatuba, no interior paulista, em outubro de 2017. Outras quatro pessoas foram identificadas, mas já cumpriam pena em presídios. Ao todo, a operação, chamada Homem de Ferro, cumpre 24 mandados de prisão e 147 de busca e apreensão.

A operação prendeu as principais lideranças da quadrilha, de acordo com o diretor do Departamento de Polícia Judiciária do Interior 10 - Araçatuba (Deinter-10), Nelson Barbosa Filho. “A gente calcula que tenha muito mais (envolvidos)”, disse o diretor, que estima mais de cem pessoas. “Hoje, prendemos os principais. Acho que eles não tem um chefão, mas chefes de segmento”, explicou.

Segundo Barbosa Filho, cada integrante da quadrilha tinha uma responsabilidade específica,como transporte e manejo de explosivos. Ao todo, 600 policiais e 150 viaturas participaram da ação, que tem como foco principal a região metropolitana e o interior de São Paulo, embora parte dos mandados de busca em apreensão tenham sido emitidos para os Estados do Mato Grosso do Sul, Goiás, Piauí e Minas Gerais.. 

A investigação também acredita que a quadrilha atuava em outros Estados, como Goiás e Rio de Janeiro. “Eles mudam muito, tem gente que participa de um roubo e não participa de outro”, diz Barbosa Filho. Além dos 16 presos por envolvimento no roubo, também foram presas outras seis pessoas em flagrante por outros crimes.

Com os suspeitos, não foram encontrados explosivos ou armamentos que possam ter sido utilizados no roubo da Protege. Dentre as apreensões, estão armas leves (quatro revólveres, uma pistola, uma espingarda e 60 munições calibre 44), drogas (oito quilos de crack, além de cocaína e maconha e seis tubos de lança-perfume), R$ 45,9 mil em dinheiro.

Além disso, em um galpão em Guarulhos, foi identificada uma “grande quantidade” de objetos que seriam advindos de carga roubadas, tais como roupas esportivas e pacotes de fraldas. Também na operação, oito veículos também foram apreendidos, dentre os quais estava um carro com fundo falso, que seria utilizado para o transporte de armas.

Entre os presos, a polícia acredita estar o homem que matou o policial civil André Luís Ferro da Silva, de 37 anos, que estava de folga e foi ao local do roubo a pedido do pai, que morava nas proximidades. “Acreditamos que ele está preso hoje, quase certeza”, disse o diretor. Por causa do sobrenome do policial (Ferro da Silva), a operação foi nomeada Homem de Ferro.

Dentre os quatro identificados que já estavam presos, a investigação afirma que todos estavam em liberdade no momento do roubo. Segundo Barbosa Filho, não há indício de que alguma ação foi comandada de dentro de algum presídio. Também não foi identificada a ligação da quadrilha com alguma facção criminosa. A investigação terá continuidade e, segundo o diretor do Deinter-10, deve efetuar novas prisões. 

Histórico. Na madrugada de 16 de outubro, cerca de 30 homens fortemente armados explodiram um espaço da empresa de transporte de valores Protege, em Araçatuba, na região noroeste de São Paulo. Armado com fuzis ponto 50, arma com potência para derrubar aviões, além de granadas e dinamites, o bando matou um policial civil e atacou o quartel do Comando da Polícia Militar do Interior (CPI-10). Os criminosos usaram os explosivos para abrir o cofre forte da empresa.

Em uma ação coordenada, a quadrilha se dividiu em grupos para bloquear os principais acessos à região. Os criminosos renderam um motorista e o obrigaram a atravessar o caminhão canavieiro no km 522 da Rodovia Marechal Rondon, interditando a pista próximo da base da Polícia Rodoviária. Também foram bloqueados o acesso para Birigui e a Ponte Rio Prado, sobre o Rio Tietê.

Nas proximidades do CPI-10, dois caminhões foram incendiados, um em cada lado da rua, e as redes elétrica e de telefonia, atingidas pelo fogo, foram desligadas, dificultando a comunicação entre os policiais. Os criminosos se abrigaram atrás dos veículos em chamas e dispararam com fuzil contra o quartel, impedindo a saída dos policiais.

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