Dez são detidos em ação policial na cracolândia

Alckmin e Kassab reafirmaram ontem que proibição de PMs de expulsar viciados das ruas não afeta operações

BRUNO RIBEIRO, CAMILA BRUNELLI, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2012 | 03h06

Dez pessoas foram detidas durante uma ação na cracolândia, no centro de São Paulo. Policiais civis e agentes das Secretarias de Habitação e Controle Urbano da Prefeitura repetiram estratégias usadas na ocupação da área pela PM: os policiais abordaram pessoas suspeitas de ligação com a venda de crack e os imóveis onde elas estavam foram fiscalizados.

Cinco pessoas foram indiciadas por porte de drogas e um foragido da Justiça foi recapturado. Um hotel sem alvará de funcionamento foi lacrado.

A ação foi um dia depois de a Justiça proibir a expulsão de dependentes químicos das ruas. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (PSD) afirmaram ontem, em evento na capital, que a operação na cracolândia não vai mudar após a decisão judicial.

"O Ministério Público está apenas deixando claro quais são os parâmetros da ação", disse o prefeito. "Aliás, os parâmetros da Justiça são aqueles que já têm sido obedecidos pela polícia."

"O que o governo fez era seu dever fazê-lo: prender quem faz tráfico de drogas", afirmou Alckmin. Ele disse ainda que a PM não faz dependentes químicos passarem por situações vexatórias e que as abordagens eram necessárias. "Como você vai saber se está portando droga ou não? Como você sabe se o suspeito é um fugitivo de presídio, é criminoso ou não? Você tem de abordar. O que não pode é o governo ver uma região inteira tomada pelo tráfico, pessoas morrendo na rua, agonizando, e se omitir."

Alckmin afirmou que a abordagem tem dado resultados. "Nós internamos mais de 700 pacientes voluntariamente." Ontem, ele anunciou a contratação de mais 95 vagas para tratamento no Instituto Américo Bairral, em Itapira, no interior. Com a ampliação, o Estado agora paga por 200 leitos na entidade.

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