Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Dez adolescentes infratores são detidos por dia pela polícia em SP

Número de apreensões de menores de 18 anos subiu 23,6% de janeiro a março deste ano, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública

Tiago Dantas, de O Estado de S. Paulo,

29 Abril 2013 | 22h50

Dez adolescentes foram detidos a cada dia na capital paulista, em média, nos três primeiros meses deste ano. O número de apreensões de menores de 18 anos aumentou mês a mês, passando de 279 em janeiro para 345 em março (alta de 23,6%). De todas as prisões feitas na cidade, os adolescentes aparecem em 8,1% dos casos, segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública.

 

A divulgação dos números ocorre no momento em que adolescentes envolvidos em crimes graves reacenderam a discussão sobre a redução da maioridade penal. Na quinta-feira, a dentista Cinthya Magaly Moutinho de Souza, de 46 anos, foi queimada viva por um jovem de 17 anos durante assalto a seu consultório em São Bernardo do Campo, no ABC. No domingo, um adolescente da mesma idade - fugindo em carro roubado - atropelou e matou uma garota no Jaraguá, zona norte.

 

O endurecimento das penas para infratores já estava em discussão desde o dia 9, quando o estudante Victor Hugo Deppman, de 19 anos, foi assassinado no Belém, zona leste, por um adolescente de 17, a três dias de completar 18. O crime motivou uma série de protestos.

 

Os novos números da Secretaria da Segurança mostram que no primeiro trimestre deste ano 911 adolescentes foram detidos - em flagrante ou após o cumprimento de mandado judicial. No mesmo período, foram presos 10.341 adultos na capital. O governo não divulgou o número de apreensões em trimestres anteriores. Para especialistas, três meses é um período muito curto para avaliar se a tendência é realmente de alta. “Uma análise consistente precisa de pelo menos alguns anos”, avalia o consultor José Vicente da Silva, lembrando que algumas quadrilhas chamam menores para cometer crimes já que a pena deles será menor. 

 

Mudança. O Congresso avalia proposta de alteração do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) encaminhada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), que prevê penas maiores a jovem que comete crime grave ou é reincidente. “O adolescente tem de ter medo da punição. Crimes violentos demandam resposta à sociedade”, diz a procuradora Luiza Eluf, que participou da revisão do Código Penal e é favorável à mudança no ECA. A redução na maioridade, segundo ela, é um tema mais delicado. 

 

Em entrevista ao Estado na segunda-feira, 29, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, se posicionou contra a redução. “Quem achar que com varinha mágica vai resolver o problema da criminalidade está escondendo da sociedade os reais problemas.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.