Reprodução/TV Bandeirantes
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'Deu a vida por mim', diz mulher salva na Sé por morador de rua

Balconista de 29 anos afirmou que criminoso que a manteve refém na escadaria da igreja disparou contra PMs

O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2015 | 21h43

SÃO PAULO - “Deu a vida por mim.” Em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, a balconista Elenilza Mariana de Oliveira Martins, de 29 anos, salva pelo morador de rua e pedreiro Francisco Erasmo Rodrigues, de 61 anos, disse que o homem que subiu as escadarias da Catedral da Sé, sacrificando-se para salvá-la, na última sexta-feira, 4, fez “um ato heróico”. Ela estava sendo feita refém por Luiz Antonio da Silva, de 49 anos, que foi baleado e morto pela PM logo após disparar à queima roupa contra quem a balconista se refere como o “senhorzinho” que deu a vida por ela. 

Após descer correndo as escadas enquanto Rodrigues e Silva lutavam, ela ainda viu os dois serem mortos: um pelo criminoso e outro pela PM. “Vi o senhorzinho sendo atingido. O senhorzinho interviu por mim, deu a vida por mim”, contou. Ela estava rezando nos fundos da igreja quando o criminoso a puxou pelo braço dizendo que estava “molhado” (gíria de quem está sendo procurado pela polícia). Os celulares e câmeras não filmaram o início da ação.

“Eu desci as escadas com ele. Quando eu avistei os policiais eles vieram e abordaram ele. Quando eles falaram mão para cima ele começou a dar tiro nos policiais. Ele me segurou, começou a subir de novo as escadas comigo. Teve uma hora que ele escorregou. Foi a hora que eu consegui segurar a arma dele. Foi a hora que ele puxou com tudo e acertou o meu olho.”

Rodrigues era morador de rua há cerca de dez anos e tinha passagens pela polícia por homicídio, receptação, incêndio criminoso e periclitação. Mas também em entrevista ao Fantástico, a ex-mulher dele, a auxiliar de limpeza Isabel Pereira Rodrigues, de 58 anos, disse que ele foi absolvido da acusação porque tinha assassinado um pessoa a golpes de faca em “legítima defesa”.

“Eu acho que ele não sabia que o homem estava armado”, disse a ex-mulher. “Quando meus vizinhos brigavam, ele ia lá e separava. Não gostava que brigava”, afirmou Isabel. Rodrigues foi sepultado na manhã deste domingo, no Cemitério de Perus, na zona norte de São Paulo.

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