Detido em protesto contra a Copa denuncia agressão policial

O técnico de laboratório Fábio Hideki Harano disse em depoimento que foi agredido e humilhado por policiais civis, horas após ser preso

Victor Vieira, O Estado de S. Paulo

29 Julho 2014 | 20h00

SÃO PAULO - Detido sob acusação de comandar atos de vandalismo em um protesto contra a Copa, o técnico de laboratório Fábio Hideki Harano, de 27 anos, afirmou em depoimento que foi agredido e humilhado por policiais civis, horas após ser preso. Ele diz ter recebido socos no rosto, pontapé nas costas e tapas na cabeça. Procurada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirma que não há registro sobre o caso.

No relato, dado ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) e juntado ao processo que tramita na Justiça contra Harano, o manifestante também disse que foi chamado de “terrorista” e “comunista”, além de vários palavrões. O técnico de laboratório, que trabalha e estuda na Universidade de São Paulo (USP), foi preso há 37 dias e hoje está na Penitenciária do Tremembé, a cerca de 140 quilômetros da capital. 

De acordo com Harano, as agressões foram de policiais do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). Os agentes também teriam machucado o manifestante dentro da viatura que o levou da Avenida Paulista, onde houve o protesto, à delegacia. “Eles bateram no Fábio depois que ele começou a conversar com o Rafael (Lusvargh, outro detido no mesmo ato)”, diz Rildo Marques, presidente do Condepe.

No depoimento, Harano reforçou que não é black bloc. “Os policiais batiam e pediam informações sobre os Black Blocs, mas ele nunca se envolveu com esse grupo”, afirma Marques. Os mesmos agressores teriam levado Harano ao Instituto Médico Legal (IML) para o exame de corpo de delito. “Era um constrangimento. Se o Fábio contasse o que de fato houve, apanharia mais”, diz Marques. 

Denúncia. Segundo a SSP, os fatos “estão sub judice e foram objeto de denúncia oferecida pelo Ministério Público ao Poder Judiciário, que manteve a prisão preventiva de Harano e converteu a denúncia dos promotores em processo judicial, no qual ele figura como réu”. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.