Detidas na gravidez, garotas esperam futuro diferente para os filhos

Janelas com grades, uniformes e a esperança de que os bebês que estão ali não sigam pelo mesmo caminho que as levou à Fundação Casa. Na unidade da Mooca, zona leste de São Paulo, adolescentes que foram privadas da liberdade por cometerem delitos quando estavam grávidas têm a oportunidade de cuidar dos próprios filhos até deixarem a instituição.

William Cardoso, O Estado de S.Paulo

08 de maio de 2011 | 00h00

Não faltam sonhos e planos para quem errou e, agora, elas têm a oportunidade de refletir, com uma criança nos braços, aprendendo na prática o que é a maternidade. "Roubei e fui detida em flagrante, quando estava grávida de 7 meses e era menor. Meu companheiro morreu no último dia 26, em uma briga, e agora vou ser mãe e pai da minha filha. Ela tem 8 meses", conta Diana (nome fictício), de 18 anos.

Quando foi detida, Diana estava havia três meses sem contato com a família. Agora, vê a mãe a cada 15 dias. Para a filha, espera um futuro melhor. "Quero falar a verdade para ela, ser a melhor amiga. Sonho que ela seja uma pessoa honesta, de bem."

Jéssica (também nome fictício), agora com 18 anos, estava grávida de 7 meses e meio quando foi apreendida por tráfico com o namorado. Hoje, segura a filha de 2 meses no colo e diz que sentiu medo quando foi para a delegacia. "Foi difícil. Disseram que eu perderia minha bebê, que não poderíamos ficar juntas quando ela nascesse."

Com a família vivendo no interior do Estado, Jéssica diz o que gostaria de ganhar no Dia das Mães. "De material, nada. O que queria mesmo era ter a companhia da minha mãe. Isso seria bastante importante para mim."

Jéssica explica que as adolescentes são parceiras umas das outras e se ajudam bastante na hora de cuidar dos filhos na unidade da Mooca. Apesar do companheirismo criado no local, ela tem esperança de sair logo para retomar a vida da melhor forma ao lado da filha, com estudo e trabalho. Ela só tem um medo em relação ao futuro. "As pessoas são muito de julgar umas às outras. Espero que eu não seja vítima disso."

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