Detectada mais uma fraude no leite do RS

Doze amostras de um lote levado para o Paraná e para São Paulo continham formol

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

15 Março 2014 | 03h00

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) detectou mais um esquema de adulteração de leite no Estado, o quarto desde maio do ano passado. A nova investigação começou no mês passado, quando a fiscalização do Ministério da Agricultura noticiou que 12 amostras de leite cru coletadas no posto de resfriamento da cidade de Condor continham formol e foram embaladas e comercializadas no Paraná e em São Paulo.

Ontem, promotores, técnicos e servidores do MPRS, com apoio de agentes do Ministério da Agricultura, Polícia Civil e Brigada Militar, cumpriram oito mandados de busca e apreensão em propriedades rurais, empresas e cooperativas nos municípios de Bossoroca, Vitória das Missões, Tupanciretã, Panambi, Santo Augusto, Capão do Cipó e Ijuí. Em Condor, um homem acusado de receber leite adulterado, armazenar e distribuir o produto foi preso.

Os fraudadores colocam água para aumentar o volume do leite em 10%, adicionam ureia para compensar as perdas nutricionais ou driblar análises mais simples, e formol, considerada substância cancerígena. Outra adição, de soda cáustica, pode provocar queimaduras em tecidos internos.

Mapeamento. Depois de encontrar amostras contaminadas em fevereiro, a investigação mapeou o destino daqueles volumes de leite e constatou que 299 mil litros foram recebidos pela LBR, em Tapejara (RS), e encaminhados para as unidades da empresa em Guaratinguetá (SP), onde foram embalados 100 mil litros com a marca Parmalat, e Lobato (PR), onde foram embalados 199 mil litros com a marca Líder, nos dias 13 e 14 de fevereiro.

A LBR Lácteos Brasil S.A. emitiu nota afirmando que as cargas de leite foram submetidas a todos os testes exigidos pela legislação tanto em Tapejara quanto nas unidades de Guaratinguetá e Lobato, sem detecção de anormalidade. Assegura ainda que, mesmo assim, atendeu a pedido do Ministério da Agricultura e recolheu preventivamente o produto que estava no mercado. "A empresa considera assim que cumpriu com todos os procedimentos exigidos pela legislação e observou as cautelas aplicáveis ao caso".

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