Desordem sem consequência atrai desordem

Comportamentos explosivos de massa constituem situações de perplexidade não só para o público desacostumado com cenas de depredações e incêndios, mas também para os policiais. Mas esse não é um fenômeno recente nem exclusivo de países em desenvolvimento. Em 2011, a polícia inglesa matou um jovem de 29 anos, e uma multidão em fúria queimou duas viaturas. A partir daí, Londres assistiu a uma semana de terror, com prédios incendiados e saques. Na França, em 2005, uma onda de protestos durou 20 noites.

ANÁLISE: José Vicente da Silva Filho é coronel da reserva da PM e professor do Centro de Altos Estudos de Segurança da PM, O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2013 | 02h00

Há movimentos espontâneos que se alastram e outros que ocorrem esporadicamente por emulação de grupos de desordeiros que pretendem legitimar suas ações por algum tipo de reivindicação. Quem estuda o fenômeno ressalta pelo menos um fator explicativo dominante: o comportamento de imitação que se segue a alguma manifestação aparentemente legítima e, principalmente, quando transparece a possibilidade de baixo risco, inação ou tolerância das forças da ordem.

Desordem sem consequência atrai desordem. É normal ver pessoas comuns participando de saques, simplesmente porque o "liberou geral" permitiu liberar seus freios morais. O papel preventivo da polícia é maior e mais importante do que imagina boa parte da sociedade porque constitui uma instituição de vigilância contra a barbárie que está sempre à espreita, mesmo numa sociedade aparentemente normal.

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