Desocupação recua aos níveis de 1995

Depois de atingir seu ápice em 2003, primeiro ano do governo Lula, a taxa nacional de desemprego recuou ao mesmo nível em que estava em 1995, primeiro ano do governo Fernando Henrique Cardoso. No ano passado, 6,1% da população economicamente ativa estava desocupada, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad).

RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2013 | 02h07

A taxa de desocupação calculada por essa pesquisa é a única a considerar a situação de trabalhadores das 27 unidades da federação. Por isso, é diferente da divulgada na Pesquisa Mensal de Emprego, também feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apenas calcula esse índice com base em seis Regiões Metropolitanas do País.

Desde que o desemprego passou a ser calculado pela Pnad, em 1992, seu mínimo histórico havia sido atingido em 1995. A partir desse ano, o indicador passou a subir constantemente, embalado por sucessivas crises econômicas internacionais, como a asiática (1997) e a russa (1998). O ápice foi justamente em 2003, quando atingiu 9,7% dos brasileiros que queriam trabalhar.

E a taxa vem caindo. A maior oscilação ocorreu em 2009, ano em que estourou a crise econômica mundial - subiu de 7,1% em 2008 para 8,3%. A queda, porém, continuou nos anos seguintes, até voltar a 6,1% em 2012, dado mais recente divulgado ontem na Pnad. Para o economista Eduardo Zylberstajn, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), tanto o crescimento do indicador até 2003 quanto sua queda posterior estão conectadas à conjuntura internacional.

"Os anos de 1994 e 1995 foram importantes para a economia brasileira, por causa da estabilização econômica. Mas tivemos várias crises internacionais depois disso, além da crise da desvalorização do real em 1999 e a de 2002, ano da eleição do Lula. Entramos em um ciclo virtuoso nos anos seguintes, assim como países como Argentina, Chile e México", avaliou. Sua expectativa para 2013, porém, é negativa. "Com crescimento econômico mais baixo, vai ser difícil manter a queda de desemprego no mesmo ritmo."

Regiões. Os dados da Pnad também mostram uma inversão no quadro do desemprego quando as grandes regiões são comparadas. O Sudeste liderou a taxa de desocupação no Brasil de 1998 a 2009. Agora, porém, é o Nordeste a região com a maior proporção de desempregados: 7,6% em 2012, ante 6,1% no Sudeste e 4,1% no Sul.

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