Desocupação da Vila Itororó vai até dezembro

Moradores vão mudar para prédio da CDHU no Bexiga; projeto de revitalização da Prefeitura inclui centro cultural, cinema e biblioteca

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

05 de junho de 2010 | 00h00

As 172 pessoas que ocupam a Vila Itororó, um dos marcos arquitetônicos do centro paulistano, no Bexiga, vão ter de deixar o lugar até o fim de dezembro. Após seis décadas de incertezas, os moradores foram informados na semana passada pela Prefeitura sobre a mudança para um prédio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), no mesmo bairro.

Com um palacete surrealista e 37 casas construídos entre 1922 e 1929 pelo tecelão português Francisco de Castro, o conjunto tombado pelo patrimônio histórico será transformado em um centro cultural com cinema e biblioteca. O projeto de revitalização está sob execução do arquiteto Decio Tozzi e deve ficar pronto em agosto. Dentro da vila, técnicos da Consultoria Diagonal Urbana, contratada pela Secretaria Municipal de Habitação, começaram a fazer as medições das ruas e das casas.

Os dados dos imóveis, invadidos no início da década de 50, vão subsidiar o plano de recuperação. No início do ano, o governo estadual pagou R$ 8 milhões à Instituição Beneficente Augusto de Oliveira Camargo, de Indaiatuba, antiga proprietária do terreno. Uma decisão de agosto do ano passado da 1.ª Vara da Fazenda Pública também autorizou a remoção das famílias. As obras têm previsão de início em janeiro de 2011.

Entre moradores que estão na Vila Itororó há mais de quatro décadas, a mudança para os apartamentos de 37 metros quadrados da CDHU desperta polêmica. Mas quase todos concordam que a saída se tornou irreversível. "Dessa vez não tem jeito. Ou pegamos o apartamento ou vamos ficar sem nada", afirma Ezequias Assunção, de 29 anos, morador da casa que tem a primeira piscina construída em São Paulo, de 1927.

Indenização. A presidente da Associação de Moradores e Amigos da Vila, Antonia Souza Candido, diz que a entrada de técnicos contratados pela Prefeitura nas casas das famílias, antes da saída dos moradores, descumpre acordo firmado com o governo municipal em novembro. Moradora do local há 42 anos, ela afirma não existir acordo para a data da saída.

A presidente, no entanto, admite que aceitar o apartamento se tornou a única alternativa. "Mas o ideal seria continuarmos aqui no espaço restaurado. Como você vai revitalizar um lugar expulsando parte de sua história?", questiona.

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