Desocupação ainda pode ocorrer, diz juiz

Ele afirma que, se Prefeitura não desapropriar área na zona leste, a reintegração será retomada

O Estado de S.Paulo

27 Março 2013 | 02h04

"A ordem foi dada em agosto, quando havia 20 famílias no terreno. Depois foi acumulando. E durante as eleições aumentou ainda mais", disse o juiz Jurandir de Abreu Júnior, da 4.ª Vara Cível de Itaquera, que suspendeu ontem a reintegração de posse do terreno na zona leste depois da "saída política" para o caso.

"Lamentavelmente, a Polícia Militar teve que postergar a reintegração por causa dos ataques (contra a corporação) no fim do ano e outras questões", disse Abreu Júnior. "Por causa de problemas administrativos, agravou-se a situação."

Segundo o juiz, a ordem de reintegração foi suspensa, mas nada impede que seja retomada, caso a desapropriação não se confirme até a semana que vem. "Se a Prefeitura não desapropriar, os autores da ação continuam a ser os donos do terreno." Abreu Júnior disse que, se a promessa de desapropriação não for cumprida, ele pode definir em até um mês uma nova data para a reintegração.

A PM afirmou que não houve nenhum tipo de atraso. Em nota, a corporação informou que atua de maneira técnica e que uma operação dessa natureza envolve um planejamento cuidadoso para minimizar os riscos. No caso de São Mateus, a PM disse que foram realizadas cinco reuniões com representantes de todas as partes envolvidas e que teve que aguardar algumas providências específicas do proprietário.

Comemoração. Avisados pelo advogado Ricardo Sampaio Gonçalves, que defende a Associação de Moradores Pinheirinho 2, os moradores festejaram o fim da reintegração de posse. "O Pinheirinho é nosso", gritaram.

Para Gonçalves, a suspensão da desocupação foi um alívio, diante de uma situação de "calamidade pública". "Na última audiência, avisamos que seria uma tragédia declarada." / BÁRBARA FERREIRA SANTOS e WILLIAM CARDOSO

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