Corpo de Bombeiros de São Paulo
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Desabamento de gruta deixa nove mortos em São Paulo

Grupo de bombeiros civis fazia treinamento na região de Altinópólis, interior do Estado; outras sete vítimas atingidas pelo acidente foram encaminhadas aos hospitais da região

Priscila Mengue, José Maria Tomazella e João Ker, O Estado de S.Paulo

31 de outubro de 2021 | 11h45
Atualizado 31 de outubro de 2021 | 23h05

Nove bombeiros civis morreram após um desabamento na Gruta Duas Bocas, em Altinópolis, município do interior de São Paulo, na madrugada deste domingo, 31. Outras sete vítimas também atingidas pelo acidente foram resgatadas no local e encaminhadas aos hospitais da região. Destas, cinco já tiveram alta hospitalar e outras duas apresentam quadro de saúde estável após terem passado por cirurgias, segundo a Defesa Civil. De acordo com o Corpo de Bombeiros, não há mais buscas no local. 

O desmoronamento atingiu parte de um grupo de 28 bombeiros civis que participava de um curso de treinamento. De acordo com o Corpo de Bombeiros. "Local bem colapsado e de muito risco, local necessário utilização de várias escoras para execução de trabalho seguro", descreveu o 9º Grupamento de Bombeiros de Ribeirão Preto, que atuou no resgate.

Em nota oficial no início desta noite, a Defesa Civil municipal lamentou o ocorrido e afirmou não ter medido esforços para garantir o apoio às equipes de resgate. "Hoje, cada um que se empenhou para garantir o sucesso da operação pode ser chamado de herói em nossa Altinópolis e terá nosso eterno agradecimento. Infelizmente existem circunstâncias que não podemos prever e nem ao menos impedir, afinal a obra do Divino só a Ele pertence", diz o texto assinado pelo prefeito José Roberto Ferracin Marques.  

Imagens divulgadas pelo Corpo de Bombeiros, mostram que as equipes trabalharam em um local com pouca iluminação e teto baixo, sem o uso de maquinário. 

Mais cedo, a SSP divulgou ter enviado um grupo de especialistas em resgate ao local, acompanhado por técnicos da Coordenadoria Estadual da Defesa Civil e um geólogo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). A equipe decolou às 11h30 do aeroporto do Campo de Marte, em São Paulo.

"Equipes do Grupo de Atendimento em Emergência e Desastre (GEAD) do Corpo de Bombeiros também estão a caminho do local para auxiliar nas buscas. Dois helicópteros Águia estão disponíveis para apoiar as ações das equipes, que contam com o reforço do policiamento territorial", destacou. Além disso, por volta das 14 horas, 75 bombeiros e 20 viaturas da corporação trabalhavam no local.

Segundo a Prefeitura de Altinópolis, a gruta fica em uma propriedade privada (chamada Fazenda Rancho 65) localizada na zona rural do município, que é um polo de ecoturismo na região, com grutas e cachoeira. Inicialmente, o local do acidente foi divulgado pelo Corpo de Bombeiros como Gruta Itambé (a mais conhecida da localidade), mas o dado foi corrigo pela corporação à tarde. 

De Glasglow, o governador João Doria (PSDB) se manifestou em rede social sobre o acidente. "Acompanho com muita atenção o resgate de bombeiros civis que ficaram presos no desabamento de gruta em Altinópolis, interior de SP. Determinei todo apoio e recursos necessários p/ o salvamento", postou.

'Ninguém esperava que iria acontecer' diz sócia de escola de bombeiros civis

O grupo participava de um curso de formação da escola Real Life, de Ribeirão Preto, que atua há nove anos no setor. Sócia da empresa, Tainá Pereira conta que todos os alunos já atuavam como bombeiros civis e estavam em um treinamento de resgate em cavernas.

Segundo ela, o grupo que conseguiu escapar do desabamento ficou no local, enquanto um dos instrutores saiu em busca de apoio no resgate. "Ele foi pela trilha buscar ajuda sozinho, no escuro e chovendo", conta.

Tainá relata que os alunos são de Ribeirão Preto, Franca e Batatais e estavam no entorno da gruta desde sábado à tarde. De acordo com ela, um dos instrutores conhecia a região. "Ninguém esperava que iria acontecer", lamenta.

A chuva que começou no sábado ainda persiste na região, o que tem dificultado os trabalhos de resgate. "É de difícil acesso, está perigoso. Qualquer movimento pode ser um risco para os bombeiros, porque ainda está chovendo muito", conta Tainá, que também é bombeira civil. "A gente tem a esperança que sim (sejam resgatados bem), mas, infelizmente, pelo estado em que ocorre, é complicado, por conta do oxigênio e da hipotermia."

Prefeito diz que município desconhecia realização de treinamento no local

O prefeito de Altinópolis, José Roberto Ferracin Marques (PSD), disse que o Município não foi informado previamente sobre o treinamento. "Nossa Defesa Civil foi acionada por volta das 3 horas para atender uma ocorrência de desmoronamento nessa gruta, que fica em área particular. O grupo de bombeiros e o proprietário da fazenda não fizeram contato prévio com a administração", contou o prefeito.

Ele informou que a Prefeitura passou a oferecer auxílio para os bombeiros e equipes que atuam nas ações de socorro, incluindo refeições, água e veículos. O município também cedeu madeira para o escoramento da parte íntegra da caverna, a fim de evitar novos desabamentos.

'Ele se dedicava totalmente'

Jonatas Ítalo Lopes é um dos bombeiros que desapareceram na manhã deste domingo, após o desabamento da gruta em Altinópolis. Ele entrou para a corporação em mados de 2018, e segundo relata de uma amiga sua ao Estadão, "se dedicava totalmente" à atividade desde que iniciou o treinamento.

"Ele é um dos caras mais legais que eu conheço. Desde que iniciou o treinamento de bombeiro, ele se dedica totalmente a isso", disse Letícia Ribeiro. Ela mora nos Estados Unidos e soube que Jonatas estava entre os desaparecidos porque horas antes ele postou uma foto ao lado de outros bombeiros anunciando que estava a caminho de Altinópolis. O Corpo de Bombeiros confirmou seu desaparecimento. "É um cara muito amigo mesmo. Gosta de fazer palhaçada, sempre está disposto a ajudar todo mundo e a fazer todo mundo rir."

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