Deslizamento mata mulher na Imigrantes

Quedas de barreiras na rodovia e na Anchieta atingiram 24 veículos, bloquearam o tráfego e causaram 31 km de congestionamento

CAIO DO VALLE, TIAGO DANTAS, WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

23 de fevereiro de 2013 | 02h02

Deslizamentos de terra causados por um temporal mataram uma pessoa e bloquearam totalmente o trânsito em cinco pontos do Sistema Anchieta-Imigrantes, no fim da tarde de ontem. Em um deles, na entrada de um túnel da Rodovia dos Imigrantes, ao menos 24 veículos foram atingidos por lama, pedras e troncos. Uma mulher morreu no local, segundo a concessionária Ecovias. Dezenas de quilômetros de lentidão se formaram em ambos os sentidos das estradas, deixando motoristas e passageiros de ônibus presos no engarrafamento.

A vítima morreu perto da entrada do túnel TA 10/11, o mais comprido da antiga Imigrantes, com 1,2 km de extensão, na serra. O corpo foi encontrado embaixo de um carro na altura do km 52, sentido capital, e teria sido arrastado por uma enxurrada.

Carros que subiam a serra tiveram de voltar pela contramão, sob orientação de policiais. De acordo com o tenente Moacir Mathias do Nascimento, porta-voz da Polícia Rodoviária Estadual, os veículos foram atingidos por deslizamentos vindos das encostas próximas da abertura do túnel. O acidente ocorreu por volta das 17h, após um forte temporal atingir a região. A Ecovias informou que choveu entre 100 e 150 milímetros no fim da tarde - a média nesta época é de 25 a 30 milímetros por dia. Até uma carreta se envolveu no acidente. Às 22h30, a concessionária afirmou não ter informações de mais mortos.

Contramão. Na Anchieta, onde o congestionamento chegou a 31 km, foram registrados quatro desmoronamentos. Na subida, o tráfego ficou interrompido nos km 46, 49 e 51. Outra queda de barreira foi no km 51 da pista sentido litoral. Além de lama, árvores e pedras bloqueavam a pista, segundo motoristas.

As interdições, a chuva e a proximidade do horário de pico travaram as duas rodovias. Por volta das 19h, o congestionamento chegava a 31 quilômetros na pista sul da Anchieta, sentido Santos - do km 34 ao km 65. Na norte, havia 20 km de filas, do km 40 ao km 60, já no trecho de serra.

O motorista de ônibus Marcelo Alves Salvador, de 47 anos, estava pessimista. Ele saiu de São Bernardo às 18h50 e deveria chegar em Santos às 20h45. "Pelo jeito, só vou chegar na Baixada amanhã de manhã." No fim da noite, não havia previsão para liberação da Imigrantes. A Ecovias informou que funcionários trabalhavam para liberar a estrada.

Quem subia a serra na hora dos desmoronamentos viu a pista se transformar em um córrego. "O trânsito ficou parado antes da entrada do túnel. Na pista da esquerda dava para ver água, pedras e folhas descendo", disse o engenheiro Hugo Chaluleu, de 52 anos. Ele e outros motoristas foram orientados pela Polícia Rodoviária a pegar a contramão e voltar para Santos. Chaluleu teria de passar a noite no litoral.

Motoristas relataram ter conversado com pessoas que deixavam o local do acidente a pé. "Um homem veio andando no sentido contrário. Perguntei o que tinha acontecido e ele falou que um carro tinha ficado em cima do dele depois do desmoronamento", disse a jornalista Naomi Noguchi, de 35 anos. Outros motoristas ouviram que uma carreta tinha arrastado alguns carros com a enxurrada.

O técnico Edmilson da Silva Vitor, de 27 anos, ficou três horas parado na pista sentido litoral da Anchieta. "Quando cheguei à estrada, o tempo fechou e a chuva foi muito forte." Na chegada a Cubatão, moradores ajudavam a guiar os motoristas com lanternas, segundo Vitor.

Santos. As partidas dos ônibus que fazem a ponte entre Santos e São Paulo foram interrompidas a partir das 17h30. O serviço deve ser normalizado hoje.

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