Desintoxicação exige concordância

O tratamento na chácara de desintoxicação de Juazeiro é longo, e depende da concordância do interno. "Ele tem de querer ficar aqui", afirma o presidente da instituição, Robson Vieira Pereira, que administra o centro de recuperação. O Ceprev funciona em um sítio de um hectare (10 mil m²), no bairro João 23, periferia da cidade. O espaço foi criado por iniciativa do presidente, adventista, que usou o próprio sítio.

Pablo Pereira, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2011 | 00h00

O interno fica por três meses na primeira etapa, depois mais seis meses. Se perseverar, pode ficar ainda por mais tempo para a ressocialização, coordenada pelo pessoal da entidade. O projeto vive da taxa mensal paga pelas famílias dos internos (R$ 300) e de doações.

Mas o custo é mais alto. Segundo Pereira, o gasto por pessoa é de cerca de R$ 800 por mês. A diferença é coberta por trabalho voluntário e doações do comércio e do Ceasa, onde os funcionários recolhem frutas, verduras e legumes. No pequeno refeitório, nos fundos da casa principal, o cuscuz é o pão de cada dia.

O dirigente garante que não há um centavo de dinheiro público no projeto. E não é porque a entidade rejeite. "Já fizemos muitas reuniões pedindo ajuda, mas nunca dá certo", lamenta. "É difícil, mas não vamos desistir", afirma, evocando Deus e Jesus. "Temos espaço para atender o dobro de dependentes", explica Pereira, um administrador de empresas que atua no mercado imobiliário e se dedica ao centro como a um sacerdócio. "Em nome de Jesus."

 

Confira depoimentos colhidos durante a reportagem.

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