Desigualdade de renda deixa de cair

Rendimento médio dos 10% mais pobres ficou em R$ 215, alta de 6,4%, enquanto para 1% mais ricos, foi de R$ 18.889, avanço de 10,8%

VINICIUS NEDER / RIO, O Estado de S.Paulo

28 de setembro de 2013 | 02h04

O crescimento da renda do brasileiro continuou em 2012, mas a diferença entre pobres e ricos sofreu uma freada no movimento de queda verificado na década passada. Os indicadores da desigualdade de renda apresentaram melhora muito pequena ou estabilidade, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada ontem pelo IBGE.

Ainda assim, a alta de 5,8% no rendimento real do trabalho (que ficou em R$ 1.507,00 ao mês) ajudou a tirar 4,769 milhões de brasileiros da pobreza de 2011 para 2012, segundo estudo dos pesquisadores Samuel Franco e Andrezza Rosalém, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets).

O Índice de Gini, que mede a concentração de renda (quanto mais perto de 1, maior a concentração), ficou em 0,498 em 2012, ante 0,501 em 2011, quando considerado o rendimento do trabalho. A presidente do IBGE, Wasmália Bivar, classificou a queda abaixo de 0,5 como "histórica".

No entanto, a queda de 0,003 ponto ficou abaixo do 0,017 de recuo no acumulado de 2010 e 2011 e foi igual à ocorrida em 2009, quando a economia brasileira sofreu retração de 0,3%, na esteira de crise internacional. Quando se leva em conta o rendimento médio real de todas as fontes, o Gini ficou estável em 0,507, de 2011 para 2012.

A desaceleração na queda da desigualdade está associada aos ritmos de aumento de renda nas duas pontas da pirâmide social. "Todas as rendas cresceram, mas as duas pontas cresceram mais. Tanto o primeiro décimo (os 10% mais pobres) quanto o último décimo (10% mais ricos)", disse Wasmália.

O rendimento médio real dos 10% mais pobres ficou em R$ 215,00, alta de 6,4%, enquanto para 1% mais ricos foi de R$ 18.889,00, avanço de 10,8%. Em 2011, a renda real do trabalho dos 1% mais ricos era 84 vezes superior à dos 10% mais pobres; em 2012, essa relação passou para 87 vezes, segundo o IBGE.

"O Gini é muito afetado pelos extremos", explicou Sonia Rocha, pesquisadora do Iets, para quem a queda na desigualdade de renda de 2004 a 2011 foi explicada pelo mercado de trabalho aquecido e pelos reajustes no salário mínimo. Agora, os salários do topo da pirâmide dispararam, talvez impulsionados pela falta de pessoal qualificado.

Para João Sabóia, professor do Instituto de Economia (IE) da UFRJ, a tendência é a distribuição de renda seguir caindo. "Com o salário mínimo subindo e o mercado de trabalho forte, a tendência vai continuar", disse.

Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e ministro interino da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Marcelo Neri, a desaceleração na queda da desigualdade já começou a se dissipar. Cálculos do Ipea com dados da Pesquisa Mensal de Emprego (também do IBGE, mas diferente da Pnad) mostram que, em julho de 2013, o Índice Gini do rendimento do trabalho estava em 0,547, ante 0,561, em março de 2012.

Embora os dados da PME e da Pnad não sejam comparáveis, a tendência é a primeira se confirmar na segunda, segundo Neri.

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