Desfiles terão gringas na passarela

Ajudada pela fama do Brasil no exterior, semana de moda atrai modelos estrangeiras

VALÉRIA FRANÇA , FLÁVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

10 de junho de 2012 | 03h07

Está quase tudo pronto para o prédio da Bienal receber mais uma São Paulo Fashion Week (SPFW). A 33.ª edição do evento começa amanhã e vai até sábado no Parque do Ibirapuera, zona sul. Enquanto os portões não abrem, um batalhão de mais de 150 modelos passa por testes - feitos pelas grifes que apresentarão as coleções primavera-verão - para saber se vão ou não desfilar.

A novidade é que, nesta temporada, há várias gringas entre as novatas, as chamadas new faces, meninas com no máximo 18 anos, pouca experiência, mas muita vontade de virar uma Gisele Bündchen. O Brasil começa a se transformar numa plataforma internacional importante de divulgação para vários profissionais da moda.

A estudante holandesa Sara Lucassen, de 18 anos, chegou no começo do mês a São Paulo. Foi sua primeira viagem internacional. Ela mora no norte da Holanda, em Heemstede, com o pai, professor de crianças com necessidades especiais, e a mãe, terapeuta. Ela pretendia estudar Medicina quando um caçador de talentos a encontrou e disse que ela tinha tudo para ser top: cabelos longos e loiros, 1,80 metro de altura, olhos azuis e manequim 36, além de um rosto angelical. "Vim para cá para aprender", diz Sara. "Sei que a SPFW é um evento importante."

Ainda no início de carreira, porém um pouco mais preparada, Veroni Leijnse, de 18 anos, chegou ao Brasil um pouco antes de Sara e foi direto para o Fashion Rio, realizado de 22 a 26 de maio. "Já desfilei na Ásia e na Europa", conta Veroni, que no evento carioca conseguiu entrar na passarela para três marcas. Agora está em São Paulo encarando o processo de seleção das grifes ao lado de estreantes brasileiras - como a baiana Carol Caputo e as gêmeas mineiras Jaqueline e Bruna Bueno, de 16 anos, que encantaram a estilista Gloria Coelho.

Passar pelos principais centros de moda ajuda uma new face a montar um book mais completo, ou seja, registrar no currículo trabalhos importantes.

"O interesse pelo País vai além das semanas de moda. Inclui editoriais para revistas, campanhas para as grifes nacionais", diz Allison Chornak, coordenador do departamento de new faces da Way Models, a maior agência de modelos da América Latina. "Fazer uma capa de uma publicação brasileira de peso é importante para a imagem delas. O Brasil passa por bom momento econômico."

Tops. Tem até modelos experientes, as chamadas tops, que se candidatam a vir ao Brasil e só avisam a agência de a viagem já estar acertada. Foi o caso das russas Matilda Sundqvist e Carolina Sundström, que vão desfilar para a Cavalera no sábado. "Soube por um amigo que elas queriam muito vir ao Brasil", conta Alberto Hiar, dono da marca, que acertou o trabalho diretamente com as tops. As duas trabalham para a agência Elite em Estocolmo.

No escritório da agência em São Paulo, ninguém sabia que elas estavam a caminho do Brasil. "Mas a Elite incentiva o intercâmbio entre os escritórios espalhados pelo mundo", diz o booker Marceli Paulino Rodrigues. "São experiências que alavancam a carreira delas."

Dependendo da fama que carregam, as tops internacionais ajudam a abrilhantar desfiles. A Colcci, por exemplo, vai trazer a sul-africana Candice Swanepoel, de 23 anos, "angel" da Victoria Secret's, que substituirá a brasileira Alessandra Ambrósio. Nesta edição, a marca não contará com o ator Ashton Kutcher. Já a atriz hollywoodiana Rose Huntington virá pela segunda temporada consecutiva para desfilar para a grife Animale.

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