Desfiles fora da Bienal levam moda a vários bairros de SP

Cavalera desfilou ontem na Estação da Luz para 720 convidados e Neon mostrará suas peças no Teatro Tuca

VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2012 | 03h01

Em todas as temporadas da semana de moda paulistana, o estilista Reinaldo Lourenço prefere a Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), no Pacaembu, à Bienal do Ibirapuera para apresentar a sua coleção. No sábado, dia que apresentou sua produção, não foi diferente. Ontem ao meio-dia, a Cavalera transformou os corredores da Estação da Luz, no centro, em passarela. E amanhã será a vez da Neon usar o espaço do Tucarena, o palco do Teatro da Universidade Católica de São Paulo (Tuca), em Perdizes, na zona oeste.

Museu do Ipiranga, Clube Paulistano e Estação Júlio Prestes são alguns dos pontos que já foram palcos para a moda da São Paulo Fashion Week. "São Paulo não é uma cidade de paisagens, mas de construções. Há locais prontos para virar cenários", diz Daniela Thomas, que foi a cenógrafa do desfile da Cavalera. E é por isso que esses espaços são muito procurados.

A Estação da Luz está entre os pontos concorridos para locações. "Achei que seria muito difícil conseguir fazer o desfile aqui, mas a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) adorou a ideia."

A empresa de transporte público achou que seria uma boa oportunidade para divulgar o espaço como um local seguro, limpo e preservado. "Parece mentira, mas tem muito paulistano que não conhece a Estação da Luz", diz Fábio Angeloni, de 32 anos, assistente técnico de Novos Negócios da CPTM.

Circulam na estação 170 mil pessoas por dia. E a segurança interna é feita por 40 homens. Demorou um mês para a empresa liberar a autorização para o desfile. "O melhor espaço para este tipo de evento é a Estação Júlio Prestes", diz Angeloni. "Lá não o movimento é menor e tem uma plataforma totalmente liberada. Mas a marca queria a Luz."

Organização. Fazer um desfile fora da Bienal é muito mais complicado. Dos 29 que acontecem nesta temporada, 24 ocorrem em uma das três salas de desfiles da Bienal. Elas são equipadas com camarins para receber mais de 20 modelos por desfile, além das equipes de beleza, de produção e de camareiras. A sala de espetáculos conta com isolamento acústico e equipamento profissional de som e luz. Quando a marca escolhe uma locação externa, tudo funciona no improviso por maior que seja a produção.

Ontem um dos salões da estação virou camarim. A equipe da marca levou bancadas, araras e móveis de apoio, além de equipamentos de som. Mas, na hora do show, o cenário sempre rouba a atenção da roupa - o que não é um problema para os estilistas. "Moda é conceito. Fazemos moda urbana", repete sempre Alberto Hiar, dono da marca. "Essa é uma região que reúne prostitutas, drogados, turistas e compradores. Simboliza a cidade." O tema da coleção foi Faroeste Urbano.

A Cavalera levou ontem ao centro 720 convidados - um público fashion que em geral não frequenta essa parte do centro e muitas tribos do Baixo Augusta. A maioria foi de táxi, apesar de haver uma saída da Estação Luz do Metrô dentro do local do desfile. "Cidade é ocupação", diz Daniela. "É preciso trazer as pessoas de volta para essa região, só assim ela será recuperada."

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