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Estadão
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Desentendimento entre polícias de SP atrasa apuração de crime

Morte de vigilante tem dois PMs como principais suspeitos; trabalho que pode definir autoria não foi feito quatro dias após homicídio

Alexandre Hisayasu, O Estado de S. Paulo

15 de outubro de 2015 | 03h00

A falta de entendimento entre as polícias Civil e Militar está atrasando as investigações sobre o assassinato do vigilante Alex de Morais, de 39 anos. O crime tem dois PMs como principais suspeitos. O 70°DP (Sapopemba) e a Corregedoria da PM apuram o caso.

Nesta quarta, os dois policiais eram esperados, desde as 9h30, na delegacia para prestar depoimento. As armas dos dois também seriam apresentadas para serem mandadas para que perícia fizesse o confronto balístico, já que os peritos encontraram um projétil no corpo da vítima. 

Porém, os dois policiais foram ouvidos apenas na Corregedoria da PM. O Estado apurou que as armas foram encaminhadas pelo próprio 19° Batalhão - onde trabalham os policiais investigados - direto para o Instituto de Criminalística (IC). O batalhão mesmo pediu o confronto porque também decidiu investigar o caso.

Mas, o projétil encontrado na vitima está com a Polícia Civil, que esperava pelas armas para encaminhar tudo para a perícia. O trabalho que pode definir a autoria do assassinato não foi feito ainda quatro dias depois do crime. E não há uma data marcada para iniciá-lo. 

Morais foi morto na madrugada do último domingo. Ele voltava para casa a pé quando foi atingido por um tiro. Os dois PMs do 19° Batalhão chegaram em seguida. Afirmaram na delegacia e também para bombeiros e médicos do hospital Santa Marcelina que Morais havia sido atropelado. Hoje, a investigação suspeita de que os policiais perseguiam dois suspeitos em uma motocicleta e acertaram o vigilante por engano.

Inicialmente, o caso foi registrado como lesão corporal culposa. A farsa foi descoberta durante o exame necroscópico. Legistas acharam um projétil de bala na nuca do vigilante.

"Há um inquérito policial que investiga um homicídio doloso. E os principais suspeitos, por enquanto, são os dois policiais militares que apresentaram a ocorrência na delegacia com informações falsas que induziram a erros todos os envolvidos, que acreditaram na versão de atropelamento", disse o delegado Luiz Marturano. 

Nesta quarta, a mãe do vigilante, Francelina Veiga de Morais, e uma testemunha que não teve o nome revelado prestaram depoimento. Segundo o delegado, a testemunha afirmou que ouviu uma conversa entre os dois policiais militares assim que eles chegaram ao local onde Morais estava caído."Eles, segundo esta testemunha, disseram: que besteira nós fizemos", contou.

Procurada, a Secretaria da Segurança Pública não respondeu aos questionamentos da reportagem sobre o caso. Em nota, informou que a munição será encaminhada para a perícia e que a Polícia Civil está colhendo depoimentos de testemunhas. Confirmou que os dois policiais militares foram ouvidos apenas na Corregedoria da PM, mas não informou se eles foram afastados ou se estão trabalhando normalmente.

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