Caio do Valle/Estadão
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Desembargadora que negocia com grevistas e empresas depende de ônibus

Acostumada a lidar com dissídios de greve de categorias relacionadas ao transporte coletivo, Rilma Hemetério cobrou mais seriedade das partes envolvidas em paralisações do tipo

Caio do Valle, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2014 | 21h14

SÃO PAULO - Formada em Direito pela USP, desembargadora e vice-presidente judicial do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª. Região, Rilma Aparecida Hemetério é adepta do transporte coletivo. Usuária do sistema de ônibus da capital paulista há quatro anos, ela se disse prejudicada pela paralisação ocorrida nesta semana.

"Para mim, não houve esse afetamento porque o tribunal disponibilizou o veículo para que eu pudesse me locomover para o trabalho, mas evidentemente que nas minhas atividades diárias, se persistisse o movimento, afetaria muito", declarou após o término da audiência sobre a legalidade da greve.

Rilma contou ainda que uma pessoa que trabalha em sua casa foi prejudicada e pega de surpresa pela mobilização, na terça-feira. "A minha colaboradora teve que ir da Pompeia até a Lapa a pé para poder se locomover até a casa dela em Osasco, de trem."

Durante a audiência em que tratou com representantes dos empresários e dos trabalhadores da rede de ônibus paulistanas, a magistrada chegou a dizer que não tem carro -- ao fim da sessão, afirmou à reportagem que deixou de renovar a sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH) há mais de dez anos. "Uma vez, até mostrei o meu Bilhete Único aqui", brincou a desembargadora em um momento da sessão.

Dona de um mestrado em Disciplinas do Trabalho, Sindicais e da Segurança Social pela Universitá Degli Studi di Roma, na Itália, e magistrada desde 1981, Rilma está acostumada a lidar com dissídios de greve de categorias relacionadas ao transporte coletivo, como metroviários, ferroviários e motoristas de ônibus, ela cobrou mais seriedade das partes envolvidas em movimentos de paralisação do tipo. "Não foi por isso que lutamos para ter a garantia de greve prevista em lei. É preciso que todos tenham consciência da sua responsabilidade social."

Rilma é desembargadora federal do Trabalho desde maio de 2001.

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