Desejos

Muito perguntador, o cronista quis saber o que se quer de 2013 - e traz aqui um pouco do que veio nessa rede.

HUMBERTO WERNECK, O Estado de S.Paulo

30 de dezembro de 2012 | 02h03

A Wanda quer andar mais descalça.

A Adélia pede aos céus, com e sem maiúscula: quer tomar mais chuva.

A Ana, além de andar descalça e tomar chuva, gostaria de fazê-lo em companhia de um príncipe que nem precisa ser encantado, bastando ser encantador.

O Oliveira faz saber que pretende dar, e amiúde, o melhor de si em 2013 e nos anos todos a que tiver direito.

A Rô também quer dar o melhor de si, e amiúde - mas sem ter que dividir a conta do jantar.

A Angélica vai dar alta ao analista, com quem está prestes a completar bodas de prata - e se casar de novo.

O palmeirense Júlio pede forças para atravessar um ano que, num sentido ao menos, não será de primeira.

O que o Eugênio Bucci mais deseja em 2013 é desejo. "Um pouco mais de liberdade, sobretudo à tarde", rima ele, "além de teoria, filosofia e poesia, posto que a prática vicia".

O Fernando Portela, também para rimar, revela: "Nunca desejei tanto, como agora, a absoluta normalidade; as delícias da previsibilidade; e que tudo seja, além de simples, trivial".

"Gostaria", diz o Tauil, "de sair, não do armário, que não é o meu caso, mas da gaveta, com uma coletânea de crônicas."

Na padoca de que é freguês-residente, o Paulo Leite cruza os dedos: que seu Patativa do Assaré finalmente levante voo e vá pousar nas livrarias.

Enquanto me traz a média e o caseirinho com pouca manteiga, o Jean diz que gostaria de "mostrar aos outros que sonhos não são meros pensamentos". Da próxima vez, então, em vez de caseirinho vou pedir um sonho.

"O que quero em 2013?", pergunta-se o Afonso. "Sou de Peixes com ascendente em Original. Mais cerveja, portanto."

A Vanessa Barbara não tem dúvida de que "precisamos de uma constelação em homenagem às tartarugas". E detalha: "A Grande Tartarugona Menor e a Pequena Tartaruguinha Maior. Ou vice-versa".

O Claudio Leal pretende "aceitar as pessoas como elas são. E, discretamente, chamar a ambulância".

O Jaime Prado Gouvêa gostaria que em 2013 se preenchesse uma clamorosa lacuna, com a criação de mais uma cota nas universidades, reservada à vasta categoria das pessoas burras - pois essas, mais que quaisquer outras, também não conseguem ser aprovadas nos vestibulares.

O Alê Staut espera que 2013 lhe permita "ser mais palhaço na vida" - "pois equilibrista e contorcionista", explica, "eu já sou bastante..."

A Analu espera que o famoso pré-sal deixe de ser apenas aquilo com que se engana a fome antes do jantar.

O Paiva espera que 2013, 14, 15 e 16 passem a jato: "Não vejo a hora de poder estacionar em vaga de idoso".

O Luiz Horta gostaria que 2013 lhe trouxesse muitas coisas, a mais urgente delas sendo "perder a senha das redes sociais" de que participa. Outra: "Fazer mais voos de ida e menos de volta."

O Rogério torce para que o umbigo seja elevado à categoria de órgão sexual.

A Andrea, que só descansa no domingo, gostaria que seu sábado deixasse de ser o que o poeta Cassiano Ricardo chamou de "sétima-feira".

A Maria do Perpétuo Socorro pede um nome mais apetecível para ser chamada pelo eventual ocupante do travesseiro ao lado.

Com tanto pano pra manga, o Ronaldo Fraga quer "ter mais tempo para aproveitar a infância dos filhos, que está evaporando com o tempo".

Sem entrar em detalhes sobre quantidade e localização, a Cristina anuncia o propósito de livrar-se de "umas verrugas".

O Caíque quer entrar no vermelho - mais exatamente, faturar sua primeira ruiva, ou então a gêmea dela, quem sabe as duas.

O Beto vai desenvolver sua teoria segundo a qual as pessoas que a gente vê na rua estão indo, umas, e voltando, outras.

"Gostaria", pede a Mona Dorf, "de poder me divertir mais com meus amigos e menos com nossos congressistas".

O André Viana espera que o prefeito Haddad "revire São Paulo do avesso (e do avesso, e do avesso...), que pendure a cidade ao sol e bata forte pra tirar o mofo e a poeira".

O Villas gostaria "que o mundo acabasse de novo, do mesmo jeitinho que acabou em 2012: dia 21 de dezembro, na mesma hora".

E o cronista? Bem, o cara espera que sua coluna não volte a incomodar - não só a que o mantém de pé como a que serve aos leitores...

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