Desejo: morar perto do trabalho

Criar empregos em bairros-dormitório e incentivos municipais para empresas que se instalarem na periferia foram algumas sugestões

O Estado de S.Paulo

25 Janeiro 2013 | 02h14

Definitivamente, São Paulo não é uma cidade planejada. Seu centro histórico é feito de ruas tortas e estreitas, construídas pelos próprios moradores. No fim do século 19, alguns loteamentos regulares foram projetados antes de sua ocupação, como a região da Avenida Paulista e os bairros de Higienópolis e Campos Elísios. Mas o inchaço populacional da Região Metropolitana entre as décadas de 1950 e 1980 jogou por terra qualquer planejamento urbano feito nas décadas anteriores.

Esse crescimento descontrolado causou um grande problema: muita gente morando nas bordas da cidade enquanto a maioria dos empregos está concentrada nas regiões central e sudoeste da capital. Enquanto há regiões com mais de 30 empregos por morador, como as áreas das Avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Engenheiro Luís Carlos Berrini, bairros no extremo das zonas sul, leste e norte nem sequer têm 0,7 emprego por habitante. Isso significa que milhões de pessoas todos os dias têm de percorrer quilômetros até chegar ao local de trabalho.

"Com pessoas de todas as regiões da cidade se dirigindo diariamente a um mesmo local, ocorrências de trânsito congestionado são inevitáveis", afirma o bancário Marcelo Carabetto Araujo. Ele foi o autor da ideia campeã na categoria Urbanismo. "A Prefeitura deveria incentivar as empresas a se descentralizar, criando postos de trabalho nos bairros-dormitório. Esse incentivo estaria na melhoria na infraestrutura, no investimento em educação e nos incentivos fiscais às empresas que se mostrarem interessadas."

Planos antigos. Projetos do tipo já foram tentados antes, sem muito sucesso. Em 2004, por exemplo, a Prefeitura lançou um programa de incentivo para que empresas se instalassem na zona leste - região que, sozinha, concentra quase 4 milhões de habitantes. Até 2011, porém, apenas nove empresas se interessaram pelo programa, o que significou cerca de R$ 3 milhões em incentivos.

Algumas propostas para o futuro parecem mais promissoras. Estudos para duas novas operações urbanas estão sendo conduzidos atualmente - uma delas visa a incentivar indústrias e empresas na região da Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste. Além disso, está prevista para este ano a discussão do novo Plano Diretor, que abordará maneiras de distribuir empregos pela cidade.

O prefeito Fernando Haddad (PT) já afirmou que pretende incentivar um novo distrito de negócios na região de Pirituba, zona norte, e ao longo do chamado Arco do Futuro - que prevê mais empregos nos eixos da Marginal do Tietê e da Avenida Cupecê, na zona sul. Na oeste, a aposta é o Parque Tecnológico do Jaguaré, que já está em obras e deverá estar pronto em novembro.

Além disso, a Prefeitura informou, por meio de nota, que Haddad vai adotar a proposta de incentivos fiscais para empresas que se instalarem na periferia, mas sem dar detalhes.

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