Desejo: morar perto do trabalho

URBANISMO - 397 IDEIAS: Criar empregos em bairros-dormitório e incentivos municipais para empresas que se instalarem na periferia foram algumas sugestões

O Estado de S. Paulo

25 Janeiro 2013 | 00h01

SÃO PAULO - Definitivamente, São Paulo não é uma cidade planejada. Seu centro histórico é feito de ruas tortas e estreitas, construídas pelos próprios moradores. No fim do século 19, alguns loteamentos regulares foram projetados antes de sua ocupação, como a região da Avenida Paulista e os bairros de Higienópolis e Campos Elísios. Mas o inchaço populacional da Região Metropolitana entre as décadas de 1950 e 1980 jogou por terra qualquer planejamento urbano feito nas décadas anteriores.

Esse crescimento descontrolado causou um grande problema: muita gente morando nas bordas da cidade enquanto a maioria dos empregos está concentrada nas regiões central e sudoeste da capital. Enquanto há regiões com mais de 30 empregos por morador, como as áreas das Avenidas Paulista, Brigadeiro Faria Lima e Engenheiro Luís Carlos Berrini, bairros no extremo das zonas sul, leste e norte nem sequer têm 0,7 emprego por habitante. Isso significa que milhões de pessoas todos os dias têm de percorrer quilômetros até chegar ao local de trabalho.

 

 

A IDEIA: "São Paulo precisa aproximar o morador de seu local de trabalho ou estudo. Precisamos de vários pequenos núcleos com escolas, hospitais, creches, empregos e moradias que sejam de fácil acesso, de bicicleta ou a pé."

O GANHADOR: MARCELO CARABETTO ARAUJO.BANCÁRIO.28 ANOS.JABAQUARA

 

"Com pessoas de todas as regiões da cidade se dirigindo diariamente a um mesmo local, ocorrências de trânsito congestionado são inevitáveis", afirma o bancário Marcelo Carabetto Araujo. Ele foi o autor da ideia campeã na categoria Urbanismo. "A Prefeitura deveria incentivar as empresas a se descentralizar, criando postos de trabalho nos bairros-dormitório. Esse incentivo estaria na melhoria na infraestrutura, no investimento em educação e nos incentivos fiscais às empresas que se mostrarem interessadas."

Planos antigos. Projetos do tipo já foram tentados antes, sem muito sucesso. Em 2004, por exemplo, a Prefeitura lançou um programa de incentivo para que empresas se instalassem na zona leste - região que, sozinha, concentra quase 4 milhões de habitantes. Até 2011, porém, apenas nove empresas se interessaram pelo programa, o que significou cerca de R$ 3 milhões em incentivos.

Algumas propostas para o futuro parecem mais promissoras. Estudos para duas novas operações urbanas estão sendo conduzidos atualmente - uma delas visa a incentivar indústrias e empresas na região da Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste. Além disso, está prevista para este ano a discussão do novo Plano Diretor, que abordará maneiras de distribuir empregos pela cidade.

O prefeito Fernando Haddad (PT) já afirmou que pretende incentivar um novo distrito de negócios na região de Pirituba, zona norte, e ao longo do chamado Arco do Futuro - que prevê mais empregos nos eixos da Marginal do Tietê e da Avenida Cupecê, na zona sul. Na oeste, a aposta é o Parque Tecnológico do Jaguaré, que já está em obras e deverá estar pronto em novembro.

Além disso, a Prefeitura informou, por meio de nota, que Haddad vai adotar a proposta de incentivos fiscais para empresas que se instalarem na periferia, mas sem dar detalhes.

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