Descredenciamento de unidades atrapalha

Hospitais que deixam de atender plano sem aviso enchem lista de queixas do Procon, mas falta de cobertura ainda lidera

O Estado de S.Paulo

30 Junho 2013 | 02h07

Não raramente, os clientes de planos de saúde ainda se deparam com o descredenciamento de hospitais, consultórios ou clínicas da rede referenciada sem que haja um prévio aviso por parte da empresa. Neste mês, por exemplo, parte dos clientes da Unimed Paulistana deixou de ser atendida nos prontos-socorros dos hospitais Samaritano e Santa Catarina. A empresa alega ter substituído as opções por outras similares. O problema é que muitos só ficaram sabendo da notícia na hora. Queixa recorrente, segundo o ranking de reclamações do Procon-SP relacionado a convênios.

A lista de queixas registradas pelo órgão é liderada por negativas de cobertura. Falhas no envio das carteirinhas de identificação, descumprimento do Estatuto do Idoso quando aplicado o reajuste por faixa etária e espera excessiva no atendimento telefônico e nos PSs também são constantemente relatados.

A qualidade do serviço é colocada em xeque até durante um simples agendamento. Para conseguir marcar um exame, há quem fique uma hora e meia pendurado no telefone em busca de atendimento. "Sabe o que eu faço? Deixo no viva-voz, às vezes, nos dois celulares ao mesmo tempo", conta o autônomo Michel Ferrari, de 33 anos.

Cliente da GreenLine, Ferrari sofre para conseguir autorização quando o médico solicita uma tomografia, ressonância magnética ou mesmo um simples ultrassom. "Para fazer um desses exames de imagem, é preciso ligar para a central e ainda esperar pela avaliação da junta médica do plano. Não dá para marcar direto na clínica, é por isso que demora tanto", reclama. A empresa nega dificuldades, mas agenda o procedimento só em seu próprio hospital.

Muitas vezes, conseguir agendar consulta com um especialista também é sofrido. A demora passa dos três meses. É o que relata o analista financeiro Silvio Silva, de 38 anos, responsável por fazer o agendamento de médicos para a mãe, Maria Martinelli, de 68 anos. "É uma luta. Para conseguir levá-la ao médico vascular no dia 24, tive de reservar o horário em 9 de março", reclama.

Silva aponta outra dificuldade: o local da consulta. "Moramos na zona norte de São Paulo e, não raramente, o plano nos indica um médico na zona sul, muito longe de casa." Ele e a mãe são clientes do Prevent Senior, que diz solucionar os problemas relatados.

Descontente. O assistente administrativo Sergio de Brito, de 38 anos, também paga convênio, mas afirma estar cada vez mais descontente com a qualidade dos serviços. "Recentemente, minha irmã teve de ser internada em um hospital particular e foi maltratada. O atendimento era de hospital público ou pior. E não é o que imaginamos quando pagamos a fatura do plano todos os meses. Imaginamos que aquele depósito vai nos proporcionar conforto no momento da dor, da necessidade. Mas não é o que acontece."

Para evitar cair nas armadilhas dos convênios, especialistas em direito do consumidor indicam cautela na hora da contratação. É preciso buscar informações sobre a operadora escolhida na ANS, pesquisar a abrangência da rede referenciada e da categoria do plano./A.F. e F.B.

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