Desapropriados anexos do Sampaio Moreira

Secretaria Municipal de Cultura deve ser instalada no local; decisão inclui prédio anexo, mas poupa empório mais antigo

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2010 | 00h00

A Prefeitura deu mais um passo para adquirir todo o Edifício Sampaio Moreira, na Rua Líbero Badaró, no centro. Dois anos depois de desapropriar os 12 andares do imóvel para transferir a Secretaria Municipal de Cultura, a administração municipal declarou de utilidade pública as últimas partes do prédio - dois anexos.

Em 2008, havia 40 inquilinos no local. Agora, a decisão atinge uma área anexa ao prédio, de 330 metros quadrados, onde funciona uma loja de cosméticos - um restaurante também está sendo construído ali. A Casa Godinho, histórico empório, que funciona no térreo do edifício, foi poupada pela Prefeitura. "Somos o único empório remanescente de uma época", afirma o dono da mercearia, Miguel Romano, de 51 anos.

Mas ao menos um dos empreendimentos atingidos pela medida pode complicar as pretensões da Prefeitura. "Vou contestar essa decisão como eu puder", diz o jornalista Marcelo Baccarini, de 43 anos, dono da área onde funciona a loja de cosméticos. Ele diz que o dinheiro que recebe de aluguel é parte da renda para sustentar sua família. Até ontem, porém, ainda não havia sido comunicado oficialmente da decisão.

Os responsáveis pelo restaurante, que está com a reforma em andamento e paga R$ 16,5 mil de aluguel, não quiseram se manifestar. O valor de indenização ainda não foi definido pelo governo municipal. Antes de isso acontecer, um perito da Prefeitura deverá avaliar a condição do imóvel e, depois, negociar com os proprietários.

História. Construído em 1924, o Sampaio Moreira, com 12 andares e 180 salas comerciais, é considerado o primeiro arranha-céu da cidade. "Ele tem uma estrutura de concreto armado, bastante inovador para a época", afirma o professor de Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie José Geraldo Simões Júnior.

"O prédio foi construído dentro da remodelação da Líbero Badaró, uma das vias mais chiques na época."

Programada para começar no início do ano que vem, a obra de restauro será comandada pelo arquiteto Samuel Kruchin. As melhorias serão feitas na área interna e também na fachada externa. A Prefeitura não informou o valor da reforma.

Aluguel. Hoje, a Secretaria de Cultura está instalada entre o 6.° e o 12.º andar da Galeria Olido, também no centro. A pasta deve economizar R$ 206,6 mil, valor que paga de aluguel pelo imóvel.

Para Simões, a restauração do edifício precisa atender às necessidades do novo público que circulará pelo prédio a partir do momento em que as obras forem finalizadas. "O sistema de circulação vertical era projetado para uma época em que a movimentação de pessoas era bem menor."

O NOME DO PRÉDIO

EDIFÍCIO SAMPAIO MOREIRA

RUA LÍBERO BADARÓ

CENTRO

Paulistano, José de Sampaio Moreira (1866-1943) era comerciante como o pai, o português Francisco de Sampaio Moreira que dá nome à rua no Brás. Francisco veio para o Brasil no começo do século 19 e prosperou no comércio e em investimentos na indústria têxtil. José, além de financiar o prédio que tem o seu nome, foi Irmão Protetor da Santa Casa de Misericórdia e era conhecido por dar doações volumosas a ações de caridade.

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