Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Desapropriação na Cracolândia deve ocorrer ainda neste mês, diz secretário

Prefeitura de São Paulo estuda implantar projeto piloto de moradia social em pensão da Alameda Barão de Piracicaba

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

09 Novembro 2017 | 21h54

SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo deve realizar ainda neste mês a desapropriação dos imóveis das quadras 37 e 38 na antiga Cracolândia, localizadas entre a Rua Helvétia e as Alamedas Barão de Piracicaba, Glete e Cleveland, na região central da capital paulista. Em maio, o prefeito João Doria (PSDB) chegou a declarar que pretendia derrubar todos os imóveis da região - chegando a realizar a derrubada parcial de um endereço.

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Segundo o secretário municipal de Habitação, Fernando Chucre, além da manutenção dos imóveis e fachadas tombados na região, está em estudo a implantação de um projeto piloto de "locação social em parque privado" no conjunto de sobrados localizado na esquina do Largo Coração de Jesus - que recentemente passou por um processo de revitalização.

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Dentro do conceito, o formato de locação social é implantado em uma propriedade privada, na qual o espaço é cedido para o Estado durante um determinado período de tempo, que pode ser de cinco a 20 anos.

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"O desejo da Habitação é esse: fazer um piloto e manter o proprietário lá", disse Chucre ao Estado.

A ideia ainda está em estudo, enquanto o projeto e o destino dos moradores é discutido pelo Conselho Gestor Campos Elísios, criado em julho e formado por representantes do Município, de moradores, de proprietários, de comerciantes e de organizações não governamentais (ONGs).

Tirando o casarão em discussão, o restante do terreno deve ser cedido para o Estado de acordo com Chucre e com o secretário estadual de Habitação, Rodrigo Garcia. A ideia é que seja inserido dentro da parceria público-privada que já atua na região, como na área do Complexo Júlio Prestes.

 

Novos moradores

O primeiro prédio do Complexo Júlio Prestes deve ter a entrega antecipada de abril para fevereiro ou março, segundo Garcia. Depois, um novo edifício deve ser entregue bimestralmente, com cerca de 170 apartamentos cada um. A proposta é que, conforme seja concluído, famílias já comecem a ocupar os espaços. 

Já a reforma da Praça Júlio Prestes não deve ser entregue em fevereiro, como previsto, em função de pendências para obter autorização de retirada de árvores com a Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Segundo Garcia, a presença de centenas de usuários de crack no entorno não deve atrapalhar a obra, que será envolta por tapumes durante a realização.

"A diminuição e fim disso se darão com a revitalização que são as obras de moradia. Ninguém acha que vai entregar apartamento e, no outro dia, vai estar tudo certo, tudo pronto, isso é um esforço permanente", comenta.

Ainda neste ano, devem ser entregues as unidades do lote 1, na Alameda Glete, que já está com a obra concluída, segundo Garcia.

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