Desalojados por chuvas passadas continuam em abrigo provisório

Capão Redondo tem 60 famílias nessa situação; na zona leste, moradores foram para CDHU com problemas estruturais

Marici Capitelli e Suzane G. Frutuoso, O Estado de S.Paulo

20 Janeiro 2011 | 00h00

Apesar de estar prestes a anunciar um plano para retirar de áreas de risco cerca de 115 mil pessoas, a Prefeitura de São Paulo não encontrou solução para a situação das famílias que foram desalojadas em anos anteriores e estão em abrigos provisórios.

Um exemplo é um alojamento no Capão Redondo, zona sul, onde vivem cerca de 60 famílias. Há também pessoas desalojadas pelas enchentes do ano passado na zona leste e que foram mandadas para um conjunto habitacional com problemas estruturais em Itaquaquecetuba, na região metropolitana de São Paulo.

Nesse conjunto estão 140 famílias de bairros como Jardim Romano e Jardim Helena. É um condomínio da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que afirma ter realizado vistoria no local no começo deste ano. O lugar tem rachaduras, goteiras, mofo e esgoto a céu aberto.

No alojamento da zona sul, onde os desabrigados deveriam ficar no máximo seis meses, as condições são precárias. Mas uma parte das famílias chegou em 24 de junho de 2005, vindas de áreas de risco da região do M"Boi Mirim. De lá para cá, houve invasão de sem-teto de várias regiões e unidades foram vendidas de uma família para outra. O local tem unidades de alvenaria, em que cada família ocupa um único cômodo com banheiro.

Atualmente, as alternativas oferecidas pela Prefeitura para pessoas com problemas de moradia são o auxílio aluguel e a verba de apoio habitacional - entre R$ 5 mil e R$ 8 mil, para a compra de outro imóvel.

Em nota, a Prefeitura afirma que "em situações emergenciais, as subprefeituras, junto com a Defesa Civil, são responsáveis pelas interdições." Os moradores são cadastrados e é feito o pagamento do auxílio habitacional, que pode ser emergencial, sem o compromisso de atendimento em unidade habitacional definitiva. De acordo com a Prefeitura, hoje, cerca de 15 mil famílias estão recebendo auxílio aluguel. São R$ 300 mensais pelo período que estiverem fora de suas casas. Sobre o conjunto, a CDHU diz que o comprou da Caixa Econômica Federal. As reclamações recebidas pela companhia são encaminhadas à Caixa, responsável, por contrato, por acionar a construtora do empreendimento.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.