REUTERS/Max Rossi
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Desafio da Igreja é manter portas abertas para todos, não apenas aos turistas, diz arcebispo de Barcelona

Em visita a São Paulo, Lluís Martinez Sistach afirma que Basílica da Sagrada Família deve ficar pronta em 2026

José Maria Mayrink, O Estado de S. Paulo

28 de agosto de 2015 | 19h12

A Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, deverá ficar finalmente pronta em 2026, centenário da morte do autor de seu projeto, o arquiteto catalão Antoni Gaudí, anunciou o cardeal Lluís Martinez Sistach, arcebispo cidade, durante palestra, na manhã desta sexta-feira, 28, para os alunos da Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, no bairro do Ipiranga. "Esse templo recebe mais de 3 milhões de visitantes anualmente", informou o cardeal, depois de afirmar que todas as igrejas e capelas católicas deveriam ficar de portas abertas, todos os dias, como locais de oração, para receber as pessoas que buscam um encontro com Deus.

Iniciadas em 1882, numa área então fora da cidade, as obras da basílica - um templo de estilo gótico modernizado, com 18 torres e decoração de muita criatividade - avançaram vagarosamente nos últimos 133 anos, o que levou à crença de que foram planejadas para nunca terminar. Apesar de ainda faltar a construção de várias torres, todas com 125 metros de altura, a basílica foi inaugurada por Bento XVI, hoje papa emérito, em 2010. 

Deixar as portas das igrejas abertas para acolher todos os fiéis, e não apenas os turistas, é um desafio para todos os párocos do mundo, observou o cardeal de Barcelona, cidade de mais de 4 milhões de habitantes, capital da Região Autônoma da Catalunha, no leste da Espanha. "Não sei o que fazer", confessou d. Sistach, acrescentando que uma das providências tomadas tem sido a instalação de câmeras de vigilância, com constrangimento para os frequentadores.

Restringir o horário de abertura dos templos dificulta a orientação pastoral de acolher as pessoas. "Em Barcelona, tocamos os sinos e cada vez mais aparece menos gente", disse o arcebispo. Como esse é um problema geral, os bispos discutem possíveis soluções com a ajuda de especialistas de outras áreas. O cardeal de Barcelona organizou um congresso, ano passado, com eclesiásticos e leigos para debater os desafios para a evangelização nas grandes cidades. Por causa desse congresso, os arcebispos d. Orani Tempesta, do Rio de Janeiro, e d. Odilo Scherer, de São Paulo, o convidaram para falar do tema em suas arquidioceses.

No Rio, d. Sistach visitou capelas de uma favela e disse ter ficado muito impressionado com a vitalidade das comunidades. Em São Paulo, ele celebrará missa para imigrantes, neste sábado, na Igreja de Nossa Senhora da Paz, do Glicério. Em sua palestra para estudantes de Teologia, o cardeal chamou a atenção para a onda de imigrantes estrangeiros que buscam a Europa, enfrentando riscos de acidentes e até de tragédias, como ocorreu nesta sexta-feira com dezenas pessoas que morreram asfixiadas num caminhão frigorífico na Áustria. "Os africanos que não têm trabalho olham a Europa rica como os espanhóis que tentavam os Estados Unidos, em 1939, no fim da guerra civil", afirmou o cardeal. Citando o papa São João Paulo II, ele acrescentou que, se não há trabalho na África, os africanos têm mesmo de fugir para a Europa. 

O cardeal catalão lamentou, em entrevista ao Estado, não ter a oportunidade de visitar seu patrício d. Pedro Casaldáliga, porque São Felix do Araguaia, onde ele mora, fica muito distante. "Como d. Pedro está de saúde? Transmita-lhe meus cumprimentos", disse o cardeal. D. Pedro fez uma cirurgia para retirar um pino do fêmur e passou alguns dias na UTI, depois de sofrer uma queda, está em repouso absoluto,mas muito bem da cabeça, conforme informação de um assessor. 

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