MARCELO GONÇALVES
MARCELO GONÇALVES

Uma pessoa morre e cinco ficam feridas em desabamento no Itaim Bibi, zona oeste de SP

Desabamento ocorreu no estande de vendas de um empreendimento de alto padrão da construtora Cyrela

Fabio Leite, Isabela Palhares e Lucas Hirata, O Estado de S. Paulo

22 Abril 2016 | 11h02

SÃO PAULO - Um megaestande de vendas de um prédio de luxo que será construído na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo, desabou na manhã desta sexta-feira, 22, deixando um pedreiro morto e outros cinco operários levemente feridos. O acidente aconteceu por volta das 9 horas, no terreno da Construtora Cyrela entre as Ruas Michel Milan e Quatá. As causas ainda serão investigadas pela Polícia Civil. A Prefeitura apura se a obra de desmontagem da estrutura estava de acordo com o alvará. 

A vítima foi o gesseiro Antônio Soares do Nascimento, de 38 anos, que nasceu no pequeno município de Boa Hora, no interior do Piauí, e morava havia cerca de 20 anos em São Paulo, onde sempre trabalhou na construção civil. Ele deixa quatro filhos: o mais velho, de 18 anos, também trabalhava no estande que desabou, mas não se feriu, segundo familiares que foram nesta sexta ao local do acidente.

“Escutei um estrondo muito forte. Quando olhei, vi tudo vibrando, parecia um terremoto. Depois desabou de uma vez. Tinham dois rapazes lá em cima que começaram a gritar. Um deles pulou para se salvar”, disse José Pacheco, de 45 anos, fiscal de um ponto de ônibus na frente da obra, na Rua Michel Milan. Foi ele quem acionou o Corpo de Bombeiros, que usou dois cães farejadores para encontrar as vítimas entre os escombros. O trabalho demorou três horas.

Os operários são funcionários da empresa ICR Construção Racionais, contratada pela Cyrela para montar e desmontar o estande, que tinha dois pavimentos e a reprodução de um apartamento decorado. No terreno, de 5.650m ², será construído um único prédio com 55 apartamentos de altíssimo padrão. São unidades de 270 m² e 340 m² e cinco vagas na garagem, com preço mínimo de R$ 7 milhões. Batizado de One Sixty, em referência aos 160 metros de fachada, o empreendimento foi lançado pela Cyrela em outubro de 2015.

Perigo. Segundo o coordenador da Defesa Civil, Milton Persoli, a estrutura que sobrou ainda corre risco de desabamento e o local ficará interditado por tempo indeterminado para perícia. Ele chamou a atenção para a ausência das cópias do alvará e do projeto da obra do estande no local, prevista em lei. “Agora é uma fase de interdição e avaliação de toda documentação da obra, das autorizações e projetos existentes, para que a gente possa identificar e tomar as providências necessárias”, disse.

Em nota, a Cyrela afirma que “lamenta profundamente o ocorrido” e “está prestando toda assistência às vítimas e suas famílias e auxiliando as autoridades na investigação”. Segundo a construtora, o estande estava fechado desde quarta-feira para sua demolição parcial, antes de dar início às obras do projeto, e todas as licenças envolvendo o estande estão “dentro da regularidade e da validade”. A Prefeitura informou que vai chamar o engenheiro da ICR para comprovar que respeitou o alvará e justificar o ocorrido. 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.