Dersa terá de plantar 1,6 milhão de árvores na área do Rodoanel

Local dos plantios ainda não foi definido; Estado assina hoje contrato para início das obras no Trecho Norte

BRUNO RIBEIRO, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2013 | 02h02

O governo do Estado promete plantar 1,6 milhão de mudas de árvores como parte das compensações ambientais pela construção do Trecho Norte do Rodoanel Mario Covas. Os contratos com as empreiteiras que vão fazer a obra serão assinados hoje, em cerimônia no Palácio dos Bandeirantes. Orçada em R$ 3,9 bilhões, a empreitada deve começar ainda neste mês.

As áreas que vão receber as mudas ainda serão definidas. O diretor do Centro de Pesquisa do Instituto de Botânica do Estado, Luiz Mauro Barbosa, diz que a preferência é por áreas públicas. "Há regiões dentro da Serra da Cantareira que estão degradadas. A preferência é que os locais sejam áreas públicas que possam voltar a ser floresta", afirmou Barbosa.

O instituto já monitora, há seis meses, oito pontos dentro da área de influência do Rodoanel, definida pelo Estudo de Impactos Ambientais da obra. Cada ponto tem 500 m². Nesse período, foram coletadas amostras de 200 espécies de vegetais pelos técnicos. As espécies são levadas para viveiros dentro do instituto, onde são multiplicadas para, depois, serem replantadas.

O trabalho mostrou que a influência do homem, mesmo antes dessa obra, já compromete a sobrevivência da vegetação dentro da Serra da Cantareira. Espécies exóticas (vindas da América Central, da Ásia e até da Austrália), algumas portadoras de vírus e outras "extremamente competitivas", segundo Barbosa, também foram coletadas durante esse monitoramento. Elas foram plantadas por habitantes da cidade e, claro, não serão replantadas na recomposição da mata.

A expectativa é de que o processo de plantio das mudas demore dois anos. No primeiro ano, segundo o gerente ambiental da estatal Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), Marcelo Arreguy, é feito o plantio das espécies tidas como "pioneiras", que precisam de muita luz solar para vingar. No segundo, diz ele, são plantadas as "não pioneiras", que precisam da sombra das outras árvores e alcançam altura maior quando adultas.

Após esse período, a área será monitorada. "Há locais de reflorestamento onde as mudas são comidas por gado, há incêndios, então é preciso acompanhar."

40 anos. O ambientalista Carlos Bocuhy, integrante do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), se diz cético quanto aos processos de reflorestamento propostos. Segundo ele, para que uma floresta consiga sobreviver, mantendo sua diversidade original, é preciso congelar e monitorar a área por um período "de 30 a 40 anos".

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