Leon Rodrigues/Secom
Leon Rodrigues/Secom

Derrubado por caminhão, Marco Zero é reinstalado na Praça da Sé

Monumento de 1934 foi danificado durante a desmontagem de um festival de música coproduzido pela Prefeitura

Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2019 | 10h43

SÃO PAULO - O Marco Zero da cidade de São Paulo foi instalado novamente na Praça da Sé, no centro da cidade, na tarde de segunda-feira, 21. Na madrugada anterior, ele havia sido derrubado por um caminhão que trabalhava na desmontagem do Festival Dia do Reggae, realizado no sábado pela Secretaria Municipal de Cultura e o Fórum do Reggae. O incidente ocorreu a menos de uma semana do aniversário de 465 anos da cidade, comemorado nesta sexta-feira, 25.

Segundo a Subprefeitura da Sé, o procedimento de recolocação durou duas horas e foi necessária a utilização de um caminhão "munck" (que tem uma espécie de "braço articulado"). Trabalharam na operação cerca de oito pessoas, incluindo engenheiros e representante do Departamento do Patrimônio Histórico (DPH).

Antes do procedimento, foi realizada uma avaliação técnica pelo DPH. Será feito, até 25 de março, um procedimento de tratamento do topo do marco, que tem uma placa de bronze com a localização de algumas estradas paulistas.

De autoria dos escultores Jean Gabriel Villin e Américo R. Neto, o marco é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).

O monumento histórico tem formato de prisma hexagonal e é revestido de mármore. Ele fica sobre um pedestal de mesmo material sobre uma rosa dos ventos desenhada no chão, em frente à Catedral da Sé. Na parte de cima, tem uma placa de bronze com um mapa com algumas das principais rodovias do Estado de São Paulo.

"Em cada face do marco, figuras inscritas representam o Paraná por uma araucária; o Mato Grosso pela vestimenta dos Bandeirantes; Santos por um navio, de cujo porto saía o café, maior riqueza do país no período; do Rio de Janeiro recorda-se o Pão de Açúcar e suas bananeiras; Minas Gerais por materiais de mineração profunda, enquanto Goiás é lembrado por uma bateia, material de mineração de superfície", explica a Prefeitura em seu site.

Na tarde deste domingo, 20, quando o Estado foi ao local, restava apenas o pedestal vazio, sobre o qual descansavam pessoas em situação de rua. A alguns metros dali, junto a um antigo poste de iluminação, o marco zero estava no chão, de cabeça para baixo. Não havia isolamento da área, mas uma viatura da Guarda Civil Metropolitana (GCM) estava no local. 

"Não entendemos o que era", conta a turista catarinense Jaqueline Anderson, de 28 anos, que visitava o centro da cidade com o marido. "Viemos para conhecer a Catedral (da Sé) e o Pátio do Colégio."

O incidente ganhou repercussão nas redes sociais após postagem nas redes sociais da Giro in Sampa, que realiza tours pelo centro histórico. A publicação foi feita pela historiadora e dona da empresa, Shirley Damy  que estava fazendo uma visita guiada no local com 10 pessoas por volta das 12h30 quando se deparou com a situação. "Eu fiquei chocada. Falei este é o marco zero de São Paulo. Aí olhei e ‘Cadê o marco? Cadê o marco?’ Fiquei atordoada."

Guia no centro há 20 anos, Shirley se surpreendeu que ninguém do entorno parecia estar impressionada com a situação. "Teve uma senhora que subiu para tirar uma foto da catedral. As pessoas nem tinham noção do que estava acontecendo", conta. "Tenho vontade de chorar, juro. A gente luta tanto pelo patrimônio da cidade."

Por meio de nota, a subprefeitura da Sé lamentou o incidente. "Foi lavrado BO (boletim de ocorrência) e os responsáveis  serão identificados e penalizados", declarou por meio de nota.

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