Deputado petista esteve em suposta reunião do PCC

Luiz Moura foi flagrado em um encontro com grupo monitorado por policiais que investigam quadrilha. Ele nega ligação com a facção

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2014 | 02h01

O deputado estadual em São Paulo Luiz Moura (PT), ligado ao secretário Municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, negou, anteontem, ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Boletim de ocorrência de 17 de março deste ano mostra que policiais da 6.ª Delegacia de Polícia de Investigações sobre Facções Criminosas e Lavagem de Dinheiro fizeram diligência na sede da empresa Transcooper para apurar a participação de integrantes do PCC nos ataques a ônibus na cidade. Eles surpreenderam uma reunião com cerca de 40 pessoas, entre elas, Moura e diretores da cooperativa. Segundo a polícia, a reunião tinha por finalidade "ajustar condutas teoricamente infracionais".

Na ocasião, foi preso Carlos Roberto Maia, o Carlinhos Alfaiate, que, segundo a polícia, é um "famoso ladrão de bancos da década de 1990". Moura diz que "nunca ouviu falar, nunca teve contato" com ele.

A polícia conduziu 42 pessoas que estavam no local para a sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O parlamentar não estava entre elas.

Dos conduzidos à delegacia, alguns, de acordo com a polícia, tinham "vida pregressa negativa, com passagens criminais por crimes contra o patrimônio". O boletim de ocorrência foi registrado como "não criminal". Por decisão do delegado Fabio Baena Martim, o BO foi juntado ao inquérito 23/2014, aberto para "investigar atuação da organização criminosa PCC durante ataques a transportes públicos na capital com objetivo de obter lucro". Desde o início do ano, 76 ônibus já foram queimados na cidade.

Campanha salarial. Em entrevista à TV Bandeirantes, o parlamentar afirmou que foi "convidado" para a reunião, na Rua Flores do Piauí, em Itaquera, sede da Transcooper.

Moura diz que foi até o local para discutir campanha salarial e reajuste dos cooperados. "Participei de diversas reuniões, fui convidado por diretores da garagem para poder fazer a interlocução entre a Prefeitura, o secretário (dos Transportes, Jilmar Tatto), o prefeito Fernando Haddad e as permissionárias e concessionárias prestadoras de serviço público", afirma o deputado petista.

Segundo ele, o encontro "era justamente com relação à greve, para não ter essa greve na cidade de São Paulo que deixou mais de 2 milhões de trabalhadores a pé pela falta de ônibus".

"Eu estava prestando um serviço para a população da cidade, fazendo com que não houvesse greve, dialogando com a categoria. E não teve greve na zona leste", apontou o petista.

A Transcooper opera linhas na zona leste da capital.

Moura diz ainda que o "colocaram num imbróglio por uma questão política". "Realmente, chegou a polícia. Mas não existiu nenhum ilícito criminoso nessa cooperativa (Transcooper). As pessoas foram (para o Deic) na condição de averiguadas. Não fui até a delegacia, e os policiais nem me convidaram para ir até essa delegacia. Graças a Deus, nunca tive ligação com nenhuma facção criminosa. Isso posso falar com a maior tranquilidade."

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