Deputado é espancado por policiais

Ramalho (PSDB) estava com a mulher em casa noturna, quando levou socos e pontapés; investigadores dizem que revidaram agressão

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2011 | 00h00

De nada valeram os 62.310 votos recebidos por Antonio de Sousa Ramalho, o Ramalho da Construção, que o elegeram deputado estadual pelo PSDB na última eleição. Na madrugada de ontem, ele apanhou como qualquer cidadão que denuncia abuso policial em São Paulo. A agressão ocorreu após um investigador cortejar a mulher do parlamentar.

"Em meus 62 anos de vida, nunca havia passado por isso", disse. Dois investigadores e um comerciante teriam participado da agressão depois que o deputado pegou a mulher pela mão para ajudá-la a sair de perto do grupo. Acabou espancado. Seu desmaio não impediu os três a continuar a agressão, desferindo chutes em seu corpo.

O deputado, que toma posse em 15 de março, estava com a mulher na casa noturna Vila Country, na zona oeste, quando ela foi assediada. Eram 3h30. Loira, 1,65 metro de altura, magra e bela, Viviane de Brito, a mulher do deputado, tem 26 anos.

A noite de anteontem havia começado para o deputado com duas reuniões políticas - uma do PSDB e outra da base do parlamentar. Pouco depois da meia-noite, o deputado chegou à casa noturna. "Fui ao Vila Country porque minha mulher queria ver o show do Victor & Leo."

Depois do show, o parlamentar resolveu ficar sentado em sua mesa, enquanto a mulher dançava com uma amiga na pista. "Eu estava muito cansado. Meus pés doíam." Foi quando sua mulher foi abordada por um homem - mais tarde identificado como sendo o investigador Pedro Henrique Brustolin dos Reis, de 29 anos, que trabalha no 98.º Distrito Policial, no Jardim Miriam, na zona sul de São Paulo.

A mulher mostrou a aliança ao policial. O deputado percebeu e se levantou. Ele contou que, ao chegar, o policial se desculpou. Disse que não sabia que Viviane era casada. "Quando a apanhei pela mão para dançar, o outro veio e me deu um murro."

O outro seria o investigador Otávio Bruno Iokota Fabricator, de 29, que atualmente trabalha na Delegacia do Aeroporto de Congonhas. "Caí. Desmaiei. E continuaram me chutando. Também bateram na minha mulher", afirmou. O espancamento só parou quando os seguranças separaram os envolvidos. O deputado acordou no ambulatório da casa noturna. "Eles estavam em muitos. Eram mais de três e estavam bêbados", disse Ramalho.

A Polícia Militar foi chamada e, com a ajuda de um delegado do 23.º DP (Perdizes), levou os envolvidos à delegacia. Como dois dos acusados eram policiais, o caso foi parar na Corregedoria da Polícia Civil. Ali, os policiais disseram que apenas reagiram à agressão, que Viviane havia atirado um copo com bebida, e o deputado havia dado um soco em um deles.

Todos foram submetidos a exame de corpo de delito - até os policiais, que não apresentavam nenhuma lesão aparente. Já o deputado tinha o olho esquerdo inchado e cortes no rosto. "Fui examinado por um médico e, aparentemente, não houve nenhuma fratura", relatou Ramalho.

Além dos policiais, também foi detido um amigo dos investigadores, o comerciante Alexandre de Amaral Alves, de 30 anos. Como o crime supostamente cometido é de lesão corporal, a Corregedoria fez um Termo Circunstanciado do caso para, em seguida, liberar os acusados.

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