Deputado do PT nega ligação com Primeiro Comando da Capital

Moura foi flagrado em uma reunião com grupo monitorado por policiais que investigam a atuação da facção criminosa

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2014 | 02h07

O deputado estadual em São Paulo Luiz Moura (PT), ligado ao secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, viveu um conturbado período de sua vida nos idos de 1990. Então "vendedor autônomo", como se declarava, ele foi preso no interior do Paraná e também em Santa Catarina por assalto à mão armada.

Pegou 12 anos de condenação, confessou uso de drogas. Ficou pouco mais de um ano e meio na prisão e evadiu-se. Em 2005, a Justiça concedeu-lhe a reabilitação, tendo em vista "o bom comportamento, tanto público como privado" - tecnicamente, a Justiça limpou sua ficha criminal, abrindo-lhe a porta inclusive para a aventura no mundo da política. Elegeu-se parlamentar pelo PT em 2010.

Anteontem, Moura afirmou que, "graças a Deus, nunca teve ligação com nenhuma facção criminosa". Moura disse que "nunca ouviu falar, nunca teve contato" com o ladrão de banco Carlinhos Alfaiate, que foi preso pela Polícia Civil de São Paulo no dia 17 de março, em reunião na garagem da Cooperativa Transcooper. O parlamentar estava presente na reunião.

Em entrevista à TV Bandeirantes, Moura declarou que sua "bandeira é o transporte público" e que foi convidado para a reunião na Rua Flores do Piauí, em Itaquera, na zona leste, endereço da cooperativa.

A polícia conduziu 42 pessoas que estavam no local para a sede do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic). O parlamentar não foi levado para o Deic. A polícia suspeita que o grupo estava reunido para planejar crimes. Um inquérito está em curso para apurar a ligação do Primeiro Comando da Capital (PCC) com ataques a ônibus de São Paulo.

O deputado diz que foi convidado para discutir campanha salarial e reajuste dos cooperados. "Participei de diversas reuniões, fui convidado por diretores da garagem para poder fazer a interlocução entre a Prefeitura, o secretário (dos Transportes, Jilmar Tatto), o prefeito Fernando Haddad e as permissionárias e concessionárias prestadoras de serviço público", afirma o deputado petista.

Segundo ele, o encontro "era justamente com relação à greve, para não ter essa greve na cidade de São Paulo que deixou mais de 2 milhões de trabalhadores a pé pela falta de ônibus".

"Eu estava prestando um serviço para a população da cidade, fazendo com que não houvesse greve, dialogando com a categoria. E não teve greve na zona leste", disse o petista. Moura diz que o "colocaram num imbróglio por uma questão política". "Realmente, chegou a polícia. Mas não existiu nenhum ilícito criminoso nessa cooperativa. As pessoas foram (para o Deic) na condição de averiguadas. Não fui até a delegacia, e os policiais nem me convidaram para ir até essa delegacia. Graças a Deus, nunca tive ligação com nenhuma facção criminosa. Isso posso falar com a maior tranquilidade."

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