Deputado ameaçado por milícias sai do País

Disque Denúncia e PM recebem 7 ameaças de execução de Freixo só em outubro

RIO, O Estado de S.Paulo

01 Novembro 2011 | 03h02

Sete ameaças de execução por parte de milicianos, registradas pelo Disque Denúncia e pelo serviço de inteligência da Polícia Militar do Rio em outubro, fizeram o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol) aceitar um convite da Anistia Internacional para deixar o País. O parlamentar, que presidiu a CPI das Milícias em 2008, embarca hoje para a Europa com a família.

Pré-candidato do Psol à prefeitura do Rio, Freixo disse que pretende manter seu nome na disputa e deve voltar ao País até o fim de novembro. Freixo ainda se queixou que não recebeu nenhum retorno da Secretaria de Segurança do Rio sobre as últimas ameaças registradas. O deputado e sua família já vivem sob escolta policial. Mas, segundo ele, o efetivo é insuficiente.

Desde que concluiu os trabalhos da CPI, começou a receber ameaças de morte. A situação piorou após o assassinato, em agosto, da juíza Patrícia Acioli, que atuava contra as milícias.

"São criminosos violentos. Já torturaram jornalistas, já mataram uma juíza e ameaçam parlamentar. É possível que façam alguma coisa. Não posso arriscar", disse Freixo. Sua saída do País também tem o objetivo de divulgar o crescimento do poderio das milícias. Apesar do número elevado de prisões de milicianos, o deputado afirma que nada foi feito contra o poderio econômico dos grupos paramilitares, que continuam a controlar o transporte alternativo, a venda ilegal de gás e de sinal de TV a cabo e a cobrar por proteção.

Para Freixo, as ameaças não são um problema pessoal dele, mas um ataque ao Estado democrático de direito. "O Brasil não precisa de herói. Eu não nasci para ser herói. O que eu faço é exercer a minha função pública."

Todas as denúncias de ameaças contra o deputado apontam para o grupo Liga da Justiça, que atua na zona oeste da cidade. Os planos incluiriam a participação de policiais lotados em áreas ocupadas pela Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), pagamento de R$ 400 mil ao pistoleiro e até aliança com traficantes.

Nascido em Niterói, o deputado, de 44 anos, mudou-se recentemente para o Leblon, na zona sul da capital fluminense, para disputar a prefeitura. A atuação contra as milícias na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) também fez sua votação disparar. Entre a primeira eleição, em 2006, e a segunda, no ano passado, Freixo multiplicou por 13 o número de votos, chegando a 177.253. Ele foi o segundo candidato mais votado no Estado.

Outro lado. Em carta enviada à Presidência da Alerj, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que todas as ameaças a Freixo foram verificadas em investigações sigilosas. Ressalta ainda que sempre designou policiais para a proteção do deputado. Beltrame escreveu também que, na quarta, recebeu um ofício de pedido de escolta para a família do parlamentar, que pediu o adiamento da proteção para novembro. O secretário ressaltou que combate com rigor os paramilitares e já prendeu 598 milicianos desde 2007. /ALFREDO JUNQUEIRA, LUCIANA NUNES LEAL e PEDRO DANTAS

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