Deputada relata problemas para desembarcar de avião em Cumbica

'Queriam me carregar pelas escadas do avião, escorregadias, debaixo de muita chuva. Não aceitei e disse que não sairia do avião enquanto não houvesse segurança', disse a deputada

Ricardo Valota, do estadão.com.br,

03 Março 2011 | 04h42

A deputada federal Mara Gabrilli (PSDB-SP), portadora de tetraplegia, através de sua assessoria de imprensa, relatou, na madrugada desta quinta-feira, 3, que, ao chegar de Brasília em um avião da TAM, no aeroporto internacional de São Paulo, em Cumbica, Guarulhos, por volta das 21 horas de quarta-feira, 2, ficou retida na aeronave durante duas horas à espera de um ambulift - veículo motorizado, com elevador, que transporta passageiros com deficiência em locomoção.

Segundo a deputada, que faz uso de uma cadeira de rodas, além da falta do equipamento, a aeronave não parou junto ao finger - túnel que leva os passageiros diretamente do avião ao terminal. "Queriam me carregar pelas escadas do avião, escorregadias, debaixo de muita chuva. Não aceitei e disse que não sairia do avião enquanto não houvesse segurança", disse a deputada. Ainda, segundo Gabrilli, teria ocorrido inclusive "pressão psicológica" para que ela descesse carregada. "Afirmaram que poderia levar mais de três horas até que um ambulift chegasse ao local, mas insisti que não desceria carregada", conta.

Para Mara Gabrilli, a situação atual é de total descaso com os passageiros que possuem deficiência. "Apenas o aeroporto de Brasília recebe 30 passageiros cadeirantes todas as noites. Segundo me contaram, a TAM desembarca, em média, seis cadeirantes por noite só em Guarulhos e estava com o ambulift quebrado há um mês e meio. Se eles não podem esperar por duas horas, devem correr o risco de se acidentar nas escadas do avião? Essa é a situação cotidiana do transporte aéreo brasileiro. Em três anos, receberemos uma Copa do Mundo e, logo depois, as Olimpíadas. Nosso transporte está preparado para isso?", indagou a deputada.

A reportagem do Estadão.com.br tentou entrar em contato com a TAM em Cumbica e com a assessoria de imprensa da empresa aérea, mas ninguém foi localizado.

 

 

 

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