Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Depósito de lixo vira alvo de empresas na Anhanguera

Catorze companhias e sociedade civil se unem contra a instalação de estação de transbordo

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

29 Março 2017 | 03h00

Correções: 31/03/2017 | 14h18

Uma associação que reúne 14 empresas na zona norte, como Gerdau, JBS, Pão de Açúcar e outras, e representantes de comunidades do Parque Anhanguera, acusam a empresa Loga, uma das duas concessionárias da coleta de lixo da cidade, de usar fotos de eventos organizados pela vizinhança para ilustrar prestações de contas de ações supostamente feitas pela empresa para esclarecer a região sobre instalação de estação de transbordo de lixo. 

A polêmica começou no início do mês e foi um dos temas de uma reunião entre representantes do bairro e da Prefeitura, realizado nesta terça-feira, 28. O relatório produzido pela Loga apresentava relato das ações para esclarecer a comunidade sobre estação, mas trouxe imagens de eventos convocados por outras entidades, para discutir outros assuntos. Duas das reuniões mostradas nas fotos são de eventos da Comunidade Viva, uma associação comunitária patrocinada pela Natura, que tem fábrica ali e promove ações sociais com a comunidade do entorno. A entidade fez circular um comunicado em que diz avaliar que ocorreu uma “apropriação indevida do movimento”. 

No texto, a associação diz que representantes da Loga foram convidados a participarem de encontros por causa da natureza do trabalho dela – a coleta de lixo. “É importante ressaltar que essas ações nunca tiveram como objetivo ou estavam a serviço da promoção ou discussão da instalação do transbordo da Loga na região”.

A briga entre representantes comunitários e a Loga vem desde 2013, quando a notícia da instalação de um “lixão” chegou ao bairro. Em 2015, durante as discussões sobre as mudanças na Lei de Uso e Ocupação do Solo, a vizinhança chegou a conseguir alterar, em primeira votação, o zoneamento do lote da Loga, mas na segunda votação o local continuou sendo zona industrial, o que permite a instalação da estação. 

“A Loga trata da questão do lixo apenas como uma questão logística. Levar o lixo para a estação, depois para o aterro. Não há uma discussão sobre a redução da geração de resíduos, aumento da coleta seletiva e outra ações dessa natureza”, diz a representante da Associação das Empresas do Parque Anhanguera (Assoempar), Vivian Toledano, que reúne companhias instaladas ali. 

Entre os principais problemas esperados com a abertura da estação está o aumento do tráfego de caminhões. “Eles dizem que, com essa estação, vão tirar 150 caminhões da Marginal do Tietê. O que é isso? Só na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), passam 14 mil por dia. 150 não é nada para o trânsito da cidade, mas vai ser muito na minha rua”, disse a líder comunitária Rose Dias, de 55 anos.

Reunião. Com a mudança de gestão da Prefeitura, empresas e moradores tentaram nesta terça uma aproximação com o novo governo para tentar barrar o empreendimento da Loga. 

Receberam do presidente da Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), Edson Tomaz, o compromisso de que as informações repassadas pela Loga sobre os canais de diálogo com a comunidade seriam alvo de uma apuração.

Ao Estado, entretanto, a Amlurb não comentou as acusações. Disse que “em atendimento ao marco contratual e à necessidade para o gerenciamento de resíduos no agrupamento noroeste, está prevista a entrega da segunda estação de transbordo pela Loga na região”. 

A Prefeitura informou ainda que as estações de transbordo são fundamentais para a cidade, pois retiram caminhões de circulação, e que essa estação deve beneficiar 27 distritos. No texto, a Amlurb diz que a estação será em um galpão fechado, com dispositivos para impedir contaminação do ar e do solo e com isolamento acústico. “Em atendimento ao marco contratual e à necessidade para o gerenciamento de resíduos no agrupamento noroeste, está prevista a entrega da segunda estação de transbordo pela Loga na região.”

Em nota, a Loga informou que a comunicação e o relacionamento com a comunidade "vem ocorrendo, oficialmente, desde março de 2014, via estande (durante a pré-audiência pública, conforme rito estipulado), mas também se deu por reuniões em prefeituras regionais, visitas às instalações atuais da empresa, reuniões em locais públicos, privados e representativos da sociedade, em menor e maior grau dependendo da pauta". 

Segundo a Loga, o Estudo e Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima) ficou e ainda está disponível no site da empresa e nas unidades. "Também houve divulgação em rádios e jornais da região e de grande circulação visando passar à população toda importância da Estação de Transbordo Anhanguera para a cidade de São Paulo." 

Sobre as fotos anexas aos relatórios, a Loga diz que "todas as atividades de conscientização e comunicação de reuniões que possuem pautas exclusivas e/ou parciais sobre o empreendimento ou que aconteçam relacionadas à região são inseridas na prestação de contas ao órgão concedente". 

"O empreendimento passou por todos os ritos de licenciamento como elaboração e apresentação de EIA/RIMA à comunidade, audiência pública, possui uma licença prévia da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), aguarda a licença de instalação e encontra-se em processo final de licenciamentos municipais", informa ainda a Loga.

Correções
31/03/2017 | 14h18

No texto original, havia informação de que a Natura fazia parte da Assoempar. A empresa esclarece que vem acompanhando o caso da Loga e também participou da reunião entre Assoempar, moradores e a Amlurb, mas que não é membro da associação.

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