Divulgação/Polícia Civil
Divulgação/Polícia Civil

Depósito com comida estragada é fechado em São Bernardo do Campo

No local, que servia de distribuidora para 12 mercados da rede Dia%, havia vermes sobre carnes estragadas, baratas, fezes e urina de roedores

Thiago Mattos , O Estado de S. Paulo

22 de agosto de 2013 | 16h38

Atualizado às 17h38

SÃO PAULO - Após receber uma denúncia de alimentos vencidos em um mercado da rede Dia%, policiais da Delegacia do Meio Ambiente de São Bernardo do Campo e a Vigilância Sanitária encontraram na quarta-feira, 21, uma grande quantidade de comida estocada de maneira irregular em um depósito que funcionava como confeitaria. No local, havia carnes estragadas com vermes visíveis, diversas baratas, fezes e urina de roedores, tudo misturado aos produtos. A instalação funcionava como um mercado e, depois de fechar, há quatro meses, passou a funcionar como ponto de distribuição de alimentos a outras 12 unidades da rede.

"Tudo o que estava lá foi condenado pelas precárias condições de higiene e nada podia ser usado, nem o que estava na validade", afirmou o delegado Américo Santos Neto. Segundo ele, foi o flagrante feito em um mercado no dia 16 de agosto que levou a polícia ao depósito. Na ocasião, foi encontrado um lote de manteigas vencidas expostas na prateleira e um dos funcionários falou sobre a existência do depósito. "Encontramos também muitos sacos plásticos com achocolatados, farinha de trigo e açúcar, sem identificação nem procedência. Frango picado para fazer salgadinhos também estava em um saco plástico e o cheiro era muito forte no subsolo, onde ficavam as duas câmaras frigoríficas", disse o delegado.

Quando chegou ao local, a polícia encontrou dez mulheres trabalhando. As funcionárias manuseavam produtos com datas de validade vencidas, um dos quais havia expirado em janeiro. A chef de cozinha foi presa em flagrante e indiciada pela lei que dispõe sobre as relações de consumo. De acordo com a polícia, a pena por vender ou ter em depósito mercadoria sem especificação, procedência e imprópria para o consumo é de 2 a 5 anos de prisão.

O proprietário, José Maurício Costa Vanzella, que é o dono de 12 franquias do mercado, ainda não foi encontrado. A polícia aguarda sua apresentação ainda nesta quinta-feira, 22, e pode pedir sua prisão caso ele não se apresente. "Não se pode comprometer toda a rede e isso se deve a atuação errada de um franqueado", destacou o delegado.

Todos os funcionários foram ouvidos como testemunhas e confirmaram a falta de higiene e a presença de alimentos impróprios para o consumo, assim como a presença de alimentos vencidos, baratas e roedores no local.

A Vigilância Sanitária determinou a interdição imediata da confeitaria e informou que outras unidades serão inspecionadas. Em nota, o órgão diz que todo o material apreendido - cerca de duas toneladas de alimentos - será descartado em aterro sanitário. Deverá ser aplicada uma multa com base da legislação municipal, cujo valor pode chegar a R$ 250 mil.

Outro lado. Em nota, a rede de supermercados Dia% informou que decidiu fechar temporariamente as 12 lojas localizadas na região do ABC paulista e na capital. "Todas as lojas fechadas funcionam em sistema de franquia e o próprio franqueado concordou com o Dia% em só reabri-las quando os problemas forem sanados e atenderem aos rígidos padrões de qualidade do grupo", diz o comunicado.

 

 

 

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