Depois do 'sim', 19 são presos em casamento

'Só houve um princípio de tumulto quando começamos a apreender a cerveja', diz delegado

Clarissa Thomé, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2010 | 00h00

Prisão. Os noivos Maxwell da Costa Silva (de branco) e Rayza de Souza Gomes        

 

 RIO

Uma festa de casamento realizada em Magé, no Grande Rio, terminou de maneira inusitada na tarde de sábado: com 19 detidos. Noivos, padrinhos e convidados ? entre eles, Juçara Ferreira Campos, mãe do ator Vinícius de Oliveira, de Central do Brasil ?, são suspeitos de estelionato. Eles são acusados de integrar uma quadrilha que fraudava cartões de crédito e já havia dado golpes no valor de R$ 5 milhões.

Cento e cinquenta policiais civis de oito delegacias especializadas cercaram o sítio em que a festa era realizada. Eles esperaram a noiva, Rayza de Souza Gomes, chegar (com duas horas de atraso) para iniciar a operação. A voz de prisão foi dada depois do "sim". Rayza e Maxwell da Costa Silva tiravam fotos à beira da piscina quando foram detidos.

A polícia decidiu iniciar a Operação Não Tem Preço na festa de casamento para cumprir, simultaneamente, 19 dos 26 mandados de prisão. Entre os detidos estavam os padrinhos Raphael da Costa Silva (irmão do noivo), Diego de Souza Gomes (irmão da noiva) e João Luiz Francisco.

Convidados. "Não houve reação. Houve um silêncio, que durou algum tempo. Mas o bufê continuou a servir os convidados e o bolo chegou a ser cortado. A noiva já tinha jogado o buquê. Só houve um princípio de tumulto quando começamos a apreender a cerveja", afirmou o delegado Fernando Vila Pouca, da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat).

Vila Pouca explicou que tudo foi pago com o dinheiro dos golpes ? incluindo a lua de mel em Penedo, região serrana do Rio, e R$ 17 mil em bebidas. Rayza foi para a delegacia ainda de vestido de noiva ? tirou apenas o véu.

A Deat investigava o golpe havia quatro meses, porque a quadrilha comprava passagens aéreas e pacotes turísticos com cartões desviados. Sete funcionários dos Correios vendiam cada cartão por R$ 200. A quadrilha, a partir de dados cadastrais da Receita Federal, obtidos ilegalmente, conseguia desbloquear os cartões, e pedia adicionais, nos nomes dos integrantes do bando. "Muitas vezes eles compravam com os documentos originais. Mas também há muitas identidades falsas com os nomes dos titulares dos cartões", disse Vila Pouca. O grupo comprava TVs, computadores, laptops, aparelhos de ar-condicionado e revendia os equipamentos por 40% do valor da loja.

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