Helvio Romero/AE
Helvio Romero/AE

Depois de vacas e rinocerontes, porcos viram arte em São Paulo

Com 1,20 m, dez esculturas serão espalhadas em pontos estratégicos da capital paulista

Valéria França, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2012 | 03h04

Depois de vacas e rinocerontes, agora é a vez de porcos virarem arte nas ruas de São Paulo. Dez deles serão espalhados a partir de amanhã em pontos estratégicos da cidade. Lojas, lanchonetes, centros culturais e galerias como o Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, vão abrigar os bichos.

Com 1,20 metro de altura, eles foram moldados em fibra de vidro e entregues brancos a artistas plásticos, grafiteiros e designers. Mas os CoinCs, como são chamados, não vão se limitar à criatividade dos artistas - dependerão também do público.

"Em cima de cada uma das esculturas, há uma abertura para que as pessoas depositem ali papéis com sugestões. É a chance que as pessoas têm de dizer o que a cidade pode mudar para que a vida delas melhore", conta Reinaldo Pamponet, de 40 anos, idealizador do projeto e fundador da itsNOON, rede social responsável pela exposição.

Os porcos serão expostos já com algumas mensagens de artistas. É que alguns deles resolveram inspirar o público. É o caso de Saramello, de 34 anos, que assina o porco do Conjunto Nacional. Entre flores e gotas de água, que compõem o fundo da obra, a pintora desenhou um macaco ouvindo gramofone. "O macaco é o animal mais próximo ao homem. Acho uma figura muito didática. E o gramofone representa, para mim, a nostalgia de coisas boas do passado. No meio de tanta evolução e modernidade, o homem está deixando de lado um pouco da sua essência."

Do outro lado do porco, Saramello estampou passarinhos que recolhem garrafas PET. "Resolvi desenhar essa cena porque tem muita gente que não leva a sério a reciclagem." O ateliê da artista, que fica em Pinheiros, está cheio de material para ser reciclado. Saramello transforma lixo em toy art. "Sei que faltam cooperativas com estrutura para reciclar material. Dentro do porco, vou colocar um papel pedindo que a cidade tenha mais infraestrutura para esse serviço."

Já o porco que estará na Matilha Cultural, no centro, teve como tema a honra. Grafiteira, Simone Sapienza, de 39 anos, pintou com a técnica de estêncil um porco de duas faces. De uma lado, o animal ganhou a cara do ator Marcello Mastroianni; do outro, da atriz Sophia Loren. O arremate foi no focinho, com um grande bigode.

Simone explica: "Houve um tempo em que os cavalheiros fechavam negócio não apenas com aperto de mão. Diziam que estavam selando o pacto com o fio do bigode." Desde que descobriu isso, ela divulga o bigode como símbolo de honra. "Quando as pessoas têm o discernimento do que é certo fazer, não são necessárias tantas leis e multas."

A produção mais solta é a do porco da galeria Urban Arts, no Shopping Iguatemi. Trata-se de uma obra feita por 20 crianças organizadas por André Diniz, dono da loja, que já tem na cabeça a ideia que vai depositar ali. "Precisamos de mais ciclovias."

Os CoinCs ficam em exposição até o fim de setembro. Depois, as ideias serão tabuladas e entregues ao prefeito. "Também fechamos com parceiros que uma das ideias seja colocada em prática", promete Pamponet, da itsNOON.

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