JF Diorio/AE
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Depois de protestos, Jd. Ângela terá metrô

Governo anuncia estudo para levar Linha 5 à região de SP mais carente em transporte

Renato Machado, O Estado de S.Paulo

12 Março 2011 | 00h00

Uma semana após 2 mil pessoas protestarem contra a má qualidade do transporte público na Estrada do M"Boi Mirim, zona sul da capital, o governo do Estado anunciou o início de estudos para prolongar a Linha 5-Lilás, que atualmente liga o Capão Redondo ao Largo Treze. A ampliação de cerca de 4 quilômetros vai ligar a Estação Capão Redondo ao Jardim Ângela, atendendo uma das áreas mais carentes em transporte de São Paulo.

A decisão de iniciar os estudos foi tomada ontem, após reuniões entre os representantes de Estado, Município, Metrô e das comunidades do extremo sul da capital. Os moradores solicitaram uma audiência com as autoridades para obter soluções para melhorar os deslocamentos na região. Apesar de existir um corredor de ônibus, a estrutura está totalmente saturada e o transporte coletivo praticamente caminha nos horários de pico.

"Esta é certamente a região mais carente em transporte da capital. É uma área dormitório e com pessoas de baixa renda, que precisam de transporte coletivo. E obviamente um metrô na região será benéfico", diz o professor de Transportes da Escola Politécnica da USP Jaime Waisman. Os moradores ainda vão encontrar-se mais uma vez com as equipes do Metrô para colaborar na elaboração do projeto funcional - o primeiro passo. Mas a própria Secretaria dos Transportes Metropolitanos ressalta que o prolongamento não sairá antes de seis anos. "Não sei o que venderam antes. Mas as pessoas precisam se conscientizar de que metrô só sai de quatro a seis anos. É preciso fazer projeto, licitação e depois a obra", diz o secretário Jurandir Fernandes.

Provisório. Enquanto isso, a Secretaria Municipal dos Transportes promete avançar com o projeto de um monotrilho até o Jardim Ângela. O projeto básico já foi contratado pelo Município, mas a linha recentemente deu sinais de que não sairia do papel. Em uma apresentação na sede da Prefeitura, no início de janeiro, o secretário Marcelo Cardinale Branco disse que negociaria com o governo do Estado para que a Prefeitura abandonasse a ideia e o Metrô assumisse.

Logo após os protestos, a Secretaria Municipal dos Transportes tentou amenizar a situação criando uma faixa reversível para ônibus no pico da manhã, entre 5h30 e 8h30. A medida vale para a Estrada do M" Boi Mirim, no trecho entre a Rua Daniel Klein e a Avenida Guarapiranga; e na Avenida Guarapiranga, entre a Estrada do M" Boi Mirim e 40 metros após a Rua Frederico Grotte.

Se por um lado existe a promessa de prolongamento até o Jardim Ângela, a expansão da Linha 5-Lilás continua parada no outro extremo, que iria até a Chácara Klabin. O Metrô pretende concluir até o próximo mês a sindicância que apura irregularidades na licitação das obras, que está parada há cinco meses. / COLABOROU NATALY COSTA

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