Depois de pagar fiança, 15 presos nos protestos em SP são soltos

Ao todo, 232 pessoas foram conduzidas para delegacias na manifestação contra o aumento da tarifa de ônibus na quinta-feira, 13

Luciano Bottini, O Estado de S. Paulo

14 Junho 2013 | 23h23

SÃO PAULO - Depois de pagarem fiança, os quinze últimos presos em flagrante nas manifestações do Movimento Passe Livre foram soltos pela Justiça nesta sexta-feira, 14. Oito homens estavam no 2º DP, no Bom Retiro, no centro de São Paulo, seis na Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba, e uma mulher na Penitenciária Feminina I de Tremembé.

No 2º DP, os acusados de dano ao patrimônio e formação de quadrilha foram recebidos com flores e aplausos por amigos e parentes. Eles terão de cumprir restrições ao longo do inquérito, como não sair de casa das 20h às 6h e não se ausentar da cidade sem autorização judicial. O grupo está entre as 11 pessoas que estavam presas desde terça-feira.

O jornalista Raphael Sanz Casseb, de 26 anos, que havia tido a fiança inicial fixada em R$ 20 mil, teve o valor reduzido para R$ 5.824. Os demais presos pagaram dois salários mínimos cada um, levantados entre os apoiadores do movimento. "O rapaz que arrancou o braço do ciclista pagou R$ 5 mil. Não é justo com o meu cliente", diz o advogado Geraldo Santamaria Neto. Casseb foi preso com uma máscara de oxigênio.

Quatro dos liberados nesta sexta-feira estavam na manifestação de quinta-feira e chegaram a ser transferidos ao Tremembé II. Eles precisaram pagar uma fiança de R$ 1 mil. Ao todo, foram conduzidas para a delegacia 232 pessoas na manifestação de quinta-feira. Segundo a Secretaria de Segurança, foram registrados 63 boletins de ocorrência e 12 termos circunstanciados (para crimes com penas de até 2 anos), com acusações contra 32 pessoas.

Espera. A tarde foi de apreensão para quem esperava no lado de fora do 2º DP até o alvará de soltura chegar por fax, por volta das 15h. A mãe de Casseb tentou apresentar o diploma do filho para conseguir uma cela especial e evitar que ele eventualmente fosse levado a um centro de detenção. Ele estava com um machucado no olho e no nariz, ocorridos na abordagem da PM no tumulto de terça. "Estou sem dormir desde terça", disse a mãe, enquanto estava na delegacia, às 11h manhã de sexta.

Enquanto isso, quatro presos em flagrante na manifestação de quinta-feira eram levados ao Tremembé II. Eles foram acusados de formação de quadrilha, incitação ao crime e dano ao patrimônio público.

A mãe de José Roberto Militão, estudante de Ciências Sociais da Universidade São Paulo (USP) detido na noite de terça, diz ter certeza que tudo vai ser esclarecido. "Eu conheço meu filho. Ele nunca demonstrou que estava participando do movimento", diz Ruth Militão.

Recepção. Ao ser solto na sexta, Bruno Lourenço, de 19 anos, foi abraçado e carregado para cima dos ombros dos colegas - um grupo com roupas de skatistas, tatuagens e piercings que passaram a tarde na calçada, em um bar da esquina. A turma de "Brunão" não tinha flores. "A flor que a gente gosta é proibida", disse um jovem barbudo, de blusa xadrez.

Uma advogada dos acusados assistidos pelo movimento reclamou que quatro dos libertados tiveram que sair pelos fundos da delegacia. Os dois primeiros presos foram embora em um utilitário Mercedes Bens e um Citröen C3, pela porta da frente, já acompanhados pelos familiares desde a carceragem. "Os pobres saíram pela porta dos fundos. A repressão continua mesmo na libertação dos presos", disse a advogada.

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