Depois de outro arrastão em bar, PM reforça efetivo em datas especiais

Governador anunciou mais 390 PMs e 270 viaturas para o Dia dos Namorados. Mesmo assim, casais saíram com medo à noite

PEDRO DA ROCHA , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2012 | 03h05

Depois de mais um arrastão em São Paulo, agora no Bar Balcão, nos Jardins, zona sul, o governo estadual anunciou medidas para combater esse tipo de crime. E prometeu reforçar o efetivo - mas só em datas especiais.

Dez horas após o novo arrastão, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) participou de reunião com a cúpula da segurança pública e representantes de restaurantes. E anunciou ações, como reforço da segurança pelos próprios restaurantes, combate à receptação de produtos roubados e o projeto Vizinhança Solidária, instalado no ABC pelo comandante-geral da PM, Roberval França (leia abaixo).

Para garantir o sossego dos casais no jantar do Dia dos Namorados, Alckmin anunciou mais 390 PMs, 215 viaturas e 70 motos nas ruas, além da atuação de unidades especializadas, como as Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota). Esses agentes se somariam ao efetivo de 3.500 policiais e 942 viaturas que normalmente já atuam a partir de 18h.

Dia dos Namorados. O Estado circulou à noite por regiões de concentração de restaurantes. Nos Jardins e em Higienópolis, constatou reforço no policiamento. Já no Itaim-Bibi, comerciantes reclamavam. "Desde as 19h, só passou uma viatura", disse Fernando Ramalho, do Restaurante Nagayama. Frequentadores também estavam apreensivos. "Saímos sem cartão, sem joias e só com o dinheiro para o jantar. E não deixamos o celular em cima da mesa", contou a economista Lourdes Penteado, que jantava nos Jardins com o marido, o cirurgião plástico Gustavo Rezende.

Alguns comerciantes também ampliaram a segurança. "Coloquei um vigia", contou Maribel Neves, do Bistrô Charlô.

O vice-presidente da Federação de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Fhoresp), Antonio Henriques Branco, já estima em 20% a queda no movimento causada pelos arrastões. "O pessoal não comenta, mas a gente sente que a frequência diminuiu. Antes clientes chegavam a ficar horas. Hoje são mais rápidos."

Para o secretário de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto, até o fim do ano, 7 mil PMs hoje em funções administrativas passarão a combater diretamente a criminalidade. Especialista em segurança pública, o coronel da reserva José Vicente da Silva diz que algumas medidas anunciadas pelo governo - como parcerias com restaurantes - são sensatas, mas houve exagero. "Foi resposta à grita da mídia. Em uma cidade com 400 a 500 assaltos por dia, ter um ou dois arrastões por semana é pouco. Só de roubo de carro são 120 por dia. É mais arriscado ser atacado ao pegar carro para ir ao restaurante que ao frequentá-lo."

Balcão. Na madrugada de ontem, cinco bandidos armados fizeram arrastão no Bar Balcão, na Rua Doutor Melo Alves. Em cinco minutos, ao menos 15 clientes e 6 funcionários foram roubados. Garçons foram agredidos para entregar os R$ 200 do caixa. O músico Gabriel Levy, de 47 anos, estava com uma amiga, a designer Rosana Bozon, de 43, e tinha acabado de pagar a conta quando bandidos anunciaram o assalto. "Todos ficaram com as mãos erguidas enquanto criminosos, aparentando de 18 a 20 anos, passaram recolhendo celulares, carteiras, bolsas, joias", relatou. / COLABOROU DENIZE GUEDES

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