Depois de 6 meses, cadeirinhas para crianças viram rotina

No começo, respeito à obrigatoriedade era alvo de blitze específicas; agora, regra é parte do dia a dia do paulistano

Elvis Pereira / JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2011 | 00h00

Pais paulistanos incorporaram à rotina o uso da cadeirinha nos carros para o transporte dos filhos. Passados seis meses da entrada em vigor da Resolução 277 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), é raro se deparar com crianças sendo levadas fora dos equipamentos pelas vias da capital paulista.

As regras passaram a valer em 1.º de setembro do ano passado. Tornou-se obrigatória a adoção das cadeiras para crianças de até 7 anos e meio. O último balanço da Polícia Militar, até 31 de janeiro deste ano, indica a aplicação de 405 multas na cidade, média de 3,9 por dia. Cada uma custa R$ 191,54 ao motorista, além do acréscimo de sete pontos na carteira de habilitação e a possibilidade de apreensão do carro.

"Pelo número de autuações, vemos que a maioria está dentro das regras", afirmou o chefe do Setor Operacional do Comando de Policiamento de Trânsito (CPTran), capitão Paulo Sérgio de Oliveira. "Tanto em áreas mais ricas quanto em periferias, as pessoas estão conscientes. E é uma questão de se preocupar com o próprio filho. Se houver um acidente, não adianta segurar na mão, querer levar no colo, a criança será a primeira a ser jogada para fora do carro." Segundo o capitão, raramente são flagrados motoristas desrespeitando a resolução.

Quando a resolução entrou em vigor, os policiais montavam blitze para fiscalizar o cumprimento das regras. Hoje, a infração entrou para a lista de irregularidades a serem fiscalizadas nos bloqueios de rotina. "E também há algumas atuações que fazemos em movimento, quando o veículo para no semáforo e o policial identifica a criança sem o transporte de segurança."

Ontem, a reportagem acompanhou a saída e entrada de alunos em duas escolas, em Pinheiros e na Vila Clementino, e verificou que todos os pais transportavam os filhos corretamente. "Sempre usei, mesmo antes da resolução", disse a pedagoga Andrea Chehade, de 33 anos, ao colocar o filho Luís Felipe, de 2, no carro.

A obrigatoriedade das cadeirinhas pode ser estendida para veículos de transporte escolar e táxis ainda neste ano. O tema está na pauta das reuniões do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), mas não há data para isso.

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